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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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MONITOR DA IMPRENSA > QUESTÃO DE GÊNERO

Mulheres ainda são pouco representadas na mídia americana

25/02/2014 na edição 787

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Edirin Oputu [“Women still underrepresented in US media”, Columbia Journalism Review, 19/2/14]

A imprensa americana está longe de alcançar a paridade de gênero no quesito contratação. De acordo com o relatório Status of Women in US Media 2014 (“A situação das mulheres na imprensa americana em 2014”, em tradução livre), divulgado pelo Women’s Media Center (WMC) na semana passada, o jornalismo esportivo continua sendo um dos maiores culpados – embora o quadro geral não seja muito mais animador, com o percentual do que o estudo chama de “mulheres de cor”, como negras, asiáticas e hispânicas, decaindo em redações de jornais e revistas. Este é o terceiro relatório anual sobre a distribuição nas redações por gênero divulgado pela organização.

Apesar da crescente importância feminina nos esportes, bem como das mulheres dentre os fãs de esportes, os editores esportivos são 90% homens e 90% brancos. Mais de 150 jornais e sites esportivos receberam notas sofríveis por suas práticas de contratação de mulheres, por não permitir número suficiente de mulheres para cargos de chefia, colunistas, editores de texto e designers. De fato, as mulheres representam apenas 14,6% do total de pessoal nestas empresas.

Há apenas duas mulheres (1,09%) dentre os 183 comentaristas esportivos de rádio apresentados no ranking da revista Talkers – que listou os apresentadores mais importantes dos EUA –, sendo que nenhuma delas figura entre os 10 principais. O WMC compila números de diferentes organizações e listas feitas sobre a indústria jornalística para montar seu próprio relatório.

Os homens ainda representam dois terços das equipes de redação dos jornais diários americanos – mulheres compõem 36% do grupo, valor que se manteve praticamente inalterado desde 1999. Já as mulheres negras representam 47% de todos os funcionários negros nas redações (uma queda no pico de 50% apresentado em 2010).

As latino-americanas são 40% dentre os funcionários hispânicos (contra uma alta de 42% em 2007). Por sua vez, o índice de mulheres com ascendência indígena nas redações sofreu a queda mais abrupta: 38% (comparado ao pico de 51% em 2000).

Necessidade de mudança

Os homens brancos também estão bastante representados nos rankings dos talk shows jornalísticos das manhãs de domingo – faixa de horário importante para a TV americana. Para contrabalançar, Melissa Harris-Perry, que apresenta um programa homônimo na MSNBC, foi quem mais mostrou diversidade racial e de gênero dentre os convidados de seu programa (73% deles eram de cor).

Durante janeiro e fevereiro de 2013, houve 3,4 vezes mais aspas de homens do que de mulheres nas capas do New York Times. E, conforme o site Gawker apontou em dezembro passado, colunistas de opinião masculinos superam os femininos em uma proporção de 4:1 em três dos jornais mais prestigiados do país e em quatro sindicatos de jornais.

No entanto, houve um ponto animador no relatório: a quantidade de mulheres nos noticiários de rádio saltou 8% entre 2012 e 2013.

“Este relatório é um mapa que indica onde estamos e para onde precisamos seguir para que as mulheres possam alcançar voz e participação igualitárias”, escreveu Julie Burton, presidente do WMC, no prefácio do relatório. “Os números refletem uma necessidade clara de mudança em todas as plataformas de imprensa”.

Veja o relatório completo aqui (PDF, em inglês).

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