Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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MONITOR DA IMPRENSA > CANAL RUSSO

Âncora se demite ao vivo por discordar de invasão à Ucrânia

11/03/2014 na edição 789
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Rosie Gray [“Russia Today Anchor Resigns Live On Air, BuzzFeed, 5/3/14]

A jornalista americana Liz Wahl, âncora do canal russo RT em Washington, pediu demissão ao vivo afirmando que não podia mais trabalhar em uma emissora financiada pelo Kremlin depois da invasão russa à Ucrânia. “Pessoalmente, não posso fazer parte de uma emissora financiada pelo governo russo que encobre as ações de Putin”, afirmou ela durante seu programa, no início de março. “Tenho orgulho de ser americana e acredito na disseminação da verdade, e é por isso que, após este noticiário, eu me demito”. A jornalista disse que tinha muitos dilemas éticos e morais, especialmente porque seus avós deixaram a Hungria “ironicamente para escapar das forças soviéticas”.

A emissora russa, voltada ao público internacional e que transmite em inglês, classificou a atitude da âncora de “golpe de autopromoção”. Pouco antes do anúncio de Liz, outra apresentadora do canal, Abby Martin, havia criticado a invasão russa à Ucrânia em um talk show, mas não pediu demissão. Em declaração, o RT comparou os dois incidentes:

“A demissão da senhorita Wahl ocorre logo após os comentários de sua colega Abby Martin em que ela expressou desacordo com certas políticas do governo russo e defendeu sua independência editorial. A diferença é que a senhorita Martin falou no contexto de seu próprio talk show, aos telespectadores que há anos a assistem para escutar suas opiniões em temas atuais, opiniões pelas quais grande parte da mídia não se interessou até dois dias atrás. Há anos, a senhorita Martin se expressa contra as intervenções militares americanas apenas para ser ignorada pelos veículos de comunicação dominantes – mas, com apenas um comentário, classificado de um ato de rebeldia, ela se tornou um sucesso da noite para o dia. É um exemplo tentador a ser seguido.

“Quando um jornalista discorda da posição editorial de sua organização, o caminho tomado é geralmente falar com o editor sobre esta discordância, e, se a questão não pode ser resolvida, deixar a empresa de maneira profissional. Mas quando alguém transforma uma decisão pessoal em um grande show público, não passa de um golpe de autopromoção.”

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