Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
Menu

MONITOR DA IMPRENSA >

Startup holandesa revoluciona consumo de notícias online

11/03/2014 na edição 789

Os holandeses Marten Blankesteijn e Alexander Klöpping, ambos de 27 anos, criaram um conceito revolucionário para o consumo de notícias pela internet, sem que o leitor precise fazer cadastros múltiplos ou pagar pela assinatura de um monte de jornais e revistas online. Sua pequena startup, batizada de Blendle, tem como ideia central unir as grandes editoras da Holanda em uma única plataforma de assinaturas, de modo que todos os artigos dos jornais e revistas do país sejam direcionados a um único aplicativo; em vez de pagar pelo acesso a um site, o usuário pagará apenas pelos textos que quiser acessar.

“Como consumidor, você só quer pagar pelo conteúdo que realmente consome, quer algoritmos e redes sociais para ajudar a filtrar seus interesses, e quer tudo em um só lugar. Ao passo que os consumidores mudaram, os jornais e revistas não se adaptaram”, ressalta Klöpping.

Segundo o empreendedor, o conceito do Blendle se baseia na mesma ideia do iTunes, plataforma para reprodução de áudio e vídeo da Apple. Ele diz que, há não muito tempo, as pessoas achavam improvável alguém pagar por música na internet, afinal a pirataria já estava um tanto difundida. Aplicativos como iTunes e Spotify (ainda não disponível no Brasil) mudaram este conceito. O mesmo se aplica em relação a filmes e programas de TV: o Netflix é um exemplo de sucesso. No entanto, o jornalismo em si nunca usufruiu desse tipo de lucro. Muita gente prefere consumir as notícias gratuitamente. De acordo com Klöpping, o problema se dá não só pela descrença das editoras, mas também pela burocracia exigida para se ler um jornal na internet. “Até hoje, você precisa fazer um cadastro em todos os jornais e revistas que deseja ler online, pagando taxas mensais para cada portal ou para ter acesso a um conjunto de reportagens que não lhe interessam. Os editores ainda não fazem uma seleção personalizada, e todo jornal tem um site próprio”.

Como o Blendle funciona?

Com o Blendle, os usuários veem todas as reportagens disponíveis em um só lugar. Além disso, são informados dos artigos compartilhados por seus amigos ou por pessoas públicas (como celebridades, jornalistas e políticos) através dos portais dos veículos e das redes sociais, além de poderem acompanhar uma lista com as reportagens mais lidas na plataforma. Não será mais necessário se inscrever individualmente no site de cada publicação.

E se um usuário quiser acompanhar tudo sobre algum assunto específico – digamos, a situação na Crimeia –, pode definir e-mails de alerta com palavras-chave. O pagamento será feito a partir de um único clique, e apenas pelos artigos lidos. O custo de cada texto será definido por seu veículo de origem (especula-se algo entre R$ 0,33 e R$ 2,90), e se o usuário não gostar da reportagem lida, poderá receber seu dinheiro de volta.

Recorde de arrecadação por crowdfunding

A ideia do Blendle pareceu bem recebida. Blankesteijn e Klöpping deram início ao aplicativo através do sistema de financiamento coletivo, em que pessoas comuns doam dinheiro para que aquele projeto seja colocado em prática. A arrecadação foi arrebatadora: US$ 1,7 milhão (aproximadamente R$ 3,9 milhões).

No momento, o Blendle está em sua versão beta e já conta com usuários-teste – além de 15 mil que já se cadastraram antes mesmo do lançamento oficial (previsto para abril). O plano é fazer com que a ideia vá além da Holanda e outros países adotem o aplicativo.

***

Leia também

De Correspondent: Projeto de jornalismo digital já tem mais de 18 mil assinantes

O segredo de um ‘paywall’ bem-sucedido – Mathew Ingram

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem