Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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MONITOR DA IMPRENSA >

Mulheres são minoria nas startups de mídia

18/03/2014 na edição 790

Um artigo publicado no diário britânico The Guardian na semana passada levantou, mais uma vez, o debate sobre a divisão de gênero nas redações. Nele, a diretora do Centro Tow para Jornalismo Digital da Universidade de Columbia, Emily Bell, questionava a baixa quantidade de mulheres nas startups de jornalismo. De acordo com Emily, as empresas de mídia online que se proliferaram nos últimos anos e, mais especificamente, nos últimos meses, “estão salpicadas com termos que denotam transformação, como ‘revolucionária’ e ‘inovadora’, porém a maioria ainda é formada por uma chapa muito tradicional de jornalistas, em sua maioria homens e caucasianos.” Para ela, “recriar o jornalismo com uma nova roupagem não é uma revolução, nem ao menos uma evolução. A revolução exige uma mudança de regime mais profunda”.

A jornalista Amanda Hess, que cobre temas como sexo e tecnologia, concorda com Emily, mas questiona se já houve expectativa de diversificação por parte das startups. “Estas plataformas online representam a fusão do jornalismo (que é um campo tradicionalmente caucasiano e dominado por homens) à tecnologia (que é mais ainda!). Se muito, o casamento só deve produzir homens brancos mais poderosos”, declarou ela em um artigo na Slate.

Para Amanda, a diversidade nunca foi uma métrica importante para o status de "inovação" de uma empresa, nem em jornalismo, nem em tecnologia. “Steve Jobs pode ter pensado diferente, mas ele era mais do mesmo. O produto era novidade, não o inventor”. Até quando as mulheres são o público-alvo, os homens ainda dominam o mercado, diz ela, citando o exemplo de Bryan Goldberg, do site Bleacher Report, que recebeu US$ 6,5 milhões de investidores para projetar um site para mulheres. “Por que fingir que a demografia está mudando?”, questiona a escritora. “O jornalismo e a tecnologia não vão se diversificar magicamente só por estarem em uma plataforma nova”.

Clubinho fechado

A jornalista freelancer Karen Fratti também comentou o texto de Emily no blog 10,000 Words, sobre mídia e tecnologia. De acordo com ela, as mulheres certamente ainda são minoria na indústria de mídia – especialmente as não-caucasianas (bem como homens de outras raças).

Segundo Karen, talvez o problema real se deva à "mentalidade de clubinho", e não aos “membros do clube”. Ela diz que, em geral, as pessoas contratam não apenas quem é parecido com elas mesmas, mas também quem pensa como elas. E reitera que a maioria dos novos empreendimentos jornalísticos de startups estão focados no jornalismo conduzido pelas exigências de seus investidores. “Como garantir contratações para uma redação diversificada quando o empreendimento é tão concentrado em dados esportivos, em investigações das políticas da NSA ou do sistema de saúde? É necessário haver diversidade de pensamento, tanto de raça quanto de gênero.”

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