Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > TURQUIA

Jornalista condenado por ofender primeiro-ministro no Twitter

06/05/2014 na edição 797
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Lorenzo Franceschi-Bicchierai [“Turkish Journalist Sentenced to Prison for Insulting Prime Minister in a Tweet”, Mashable, 30/4/14]

O jornalista turco Önder Aytaç, que escreve para o jornal de oposição Taraf, foi sentenciado pela corte criminal de Ancara a 10 meses de prisão por um insulto ao primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, no Twitter. Aytaç é um ex-policial e faz parte do movimento Gulen, fundado por um clérigo que já foi ligado ao premiê, mas hoje vive em auto-exílio nos EUA. A sentença imposta ao jornalista foi suspensa por um ano, mas ainda não está claro se isso significa que ele não terá que ir para a prisão ou se a sentença foi apenas adiada.

O tuíte que fez Aytaç ser condenado foi postado em 2012, quando Erdogan anunciou que iria fechar as escolas privadas operadas pelo movimento Gulen. Aytaç, que tem cerca de 180 mil seguidores no microblog, postou um comentário junto com um link sobre o assunto dizendo: “Feche elas meu chefe :-)”. Ele usou a palavra turca “ustam”, que poderia ser traduzida como “meu chefe”, ou “meu mestre”, termos comumente usados por partidários para se referir ao primeiro-ministro. Porém, Aytaç colocou a letra K no final de “ustam”, o que transformaria a palavra em um palavrão – algo como “foda-se”. Desta forma, acabou caindo na dura lei de difamação turca, que proíbe insultos a autoridades públicas do país.

 

 

A sentença recebida pelo jornalista é apenas mais um exemplo de como o governo turco lida com a liberdade de expressão na internet. Recentemente, Erdogan bloqueou o Twitter por duas semanas por conta de documentos postados ali que, supostamente, mostrariam corrupção no governo. Uma semana depois, foi a vez do YouTube ser bloqueado após a divulgação de uma gravação que, também supostamente, mostraria uma reunião confidencial entre membros do alto escalão do governo. O YouTube continua bloqueado no país.

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