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Sábado, 18 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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MONITOR DA IMPRENSA > CRISE NA UCRÂNIA

Site ajuda a identificar informações falsas sobre o conflito

10/06/2014 na edição 802
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Lydia Tomkiw [“A Ukrainian factchecking site is trying to spot fake photos in social media - and building audience”, Nieman Journalism Lab, 2/6/14] e Brian Ries [“StopFake.org Is Like a ‘Snopes’ for Ukraine”, Mashable, 5/3/14]

Um site está ajudando a identificar fotos falsas e boatos relacionados aos conflitos na Ucrânia. Lançado há cerca de 90 dias, o StopFake já atingiu 1,5 milhão de visitantes únicos por mês e, de acordo com dados do Google Analytics, atualmente conta com mais de 60 mil seguidores em todas as plataformas de mídias sociais.

O StopFake desmascara fotos e vídeos creditados erroneamente, imagens alteradas por programas de edição e notícias inventadas. E não apenas lida com rumores espalhados em mídias sociais, como também analisa material de sites oficiais de notícias.

A ideia começou a tomar forma quando Yevhen Fedchenko, diretor do programa de jornalismo na Universidade Nacional de Kiev – Academia Mohyla, frustrou-se com as informações do conflito que vinha recebendo nas redes sociais. Ele começou a discutir a questão num grupo no Facebook dedicado a alunos e ex-alunos da Universidade e logo algumas pessoas se reuniram para trocar ideias sobre como combater a desinformação e também o excesso de propaganda política disfarçada em meio às notícias.

A partir daí, a estudante Olga Yurkova surgiu com a ideia de criar o StopFake, que possui versões em russo e em inglês. O site nasceu com uma equipe inicial de seis pessoas, sendo que a maioria delas não se conhecia pessoalmente.

Foco em notícias internacionais

Ao contrário de outras páginas de verificação de fatos – como a Politifact, que foca em notícias locais e checa o rigor das declarações feitas por políticos –, o StopFake concentra-se principalmente em notícias que chegam de outros países, muito embora também verifique e corrija informações da imprensa e de políticos ucranianos. Foi o StopFake, por exemplo, que desmentiu os boatos de que Jill Abramson tinha sido demitida do cargo de editora-chefe do New York Times devido a uma reportagem sobre a cidade de Slaviansk.

O StopFake também possui um espaço para que leitores possam enviar suas contribuições. Fedchenko diz que este espaço tem recebido cada vez mais material e que já ajudou a equipe a identificar notícias suspeitas na imprensa russa e também em veículos de língua inglesa, como o Russia Today. Ainda assim, ele frisa que às vezes é muito complicado apurar alguma notícia devido à própria natureza dos conflitos, principalmente quando o confronto ainda está em curso.

Atualmente, o StopFake se mantém através de financiamento coletivoe já arrecadou mais de US$ 8 mil em doações, sendo que mais de 30% das doações realizadas via PayPal vieram da própria Rússia (cerca de um quarto dos leitores são da Rússia). As doações têm sido utilizadas ??para melhorar o site e aumentar a qualidade dos vídeos publicados. A equipe atual tem membros no mundo todo e é composta por jornalistas, editores, tradutores, profissionais de marketing e até mesmo dois programadores no Vale do Silício – o plano é aumentar cada vez mais o número de colaboradores, com a contratação de mais editores e pessoal de apuração para lidar com o grande volume de material recebido. Fedchenko diz que o projeto será de longo prazo, mesmo que a situação política da Ucrânia se modifique.

Iurii Panin, que trabalha na parte técnica e financeira do StopFake, lamenta apenas que o projeto só tenha nascido agora. Ele diz que, em 2004, já identificava problemas na Ucrânia, mas ninguém fazia nada a respeito. “Perdemos dez anos”, conclui.

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