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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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MONITOR DA IMPRENSA > CENSURA SELETIVA

Twitter barra conteúdo com base em localização geográfica

17/06/2014 na edição 803
Tradução de Jô Amado e Leticia Nunes, edição de Leticia Nunes. Com informações de Mathew Ingram [“Twitter’s selective censorship of tweets may be the best option, but it’s still censorship“, GigaOm, 21/5/14] e da Al Jazeera [“Activists fight Twitter censorship in Pakistan with #TwitterTheocracy”,11/6/14]

Em maio, o site Chilling Effects, que monitora casos de censura na internet, afirmou que o Twitter havia usado sua “Ferramenta de Retenção de Conteúdo por País” no Paquistão pela primeira vez. A ferramenta impede que alguns tuítes ou perfis de usuários sejam acessados em determinados países. Pouco tempo antes, a Autoridade de Telecomunicações paquistanesa havia emitido ao microblog cinco pedidos para bloqueio de conteúdo.

Neste mês de junho, grupos seculares se uniram em uma campanha – com a hashtag #TwitterTheocracy – para protestar contra o que chamam de submissão do Twitter às leis de censura de um estado repressivo.

O caso do Paquistão não é um exemplo isolado. A capacidade do Twitter de impedir o acesso a conteúdo com base na localização geográfica do usuário parece estar ficando mais popular. Segundo o Chilling Effects, que acompanha esse tipo de movimento com o objetivo de, justamente, proteger os direitos do usuário, países como Turquia, Ucrânia e Rússia também sofrem com o bloqueio de mensagens e perfis. Em um caso recente, uma conta pró-Ucrânia tornou-se indisponível dentro da Rússia; o bloqueio foi feito a pedido do próprio governo russo.

Desta forma, o Twitter parece tentar moldar a opinião que seus usuários devem ter do mundo à sua volta. “Seria essa uma maneira inteligente de evitar a censura ou, em última instância, apenas disfarçaria o problema?”, questiona o analista de mídia Mathew Ingram, no site GigaOm.

Proteção local

A ferramenta de censura seletiva foi anunciada em 2012. O microblog a criou diante de uma crescente demanda: era cada vez maior o número de solicitações de diferentes países para que fossem removidos tuítes considerados ilegais, como mensagens a favor do nazismo. Na ocasião, o Twitter afirmou que tentaria evitar o máximo possível o uso da ferramenta.

A socióloga Zeynep Tufekci, da Universidade da Carolina do Norte, afirmou, quando a política foi adotada, que aquela era a melhor maneira disponível para o Twitter proteger a liberdade de expressão ao mesmo tempo em que tentava expandir sua rede a novas partes do mundo. Como nota Zeynep, que é especialista nos efeitos do uso das redes sociais durante grandes acontecimentos populares, como a Primavera Árabe no Egito e na Tunísia: “Antes, quando o Twitter tinha que apagar conteúdo devido a uma decisão judicial, aquele conteúdo desapareceria globalmente. Agora, só desaparecerá especificamente no país a que se referir a decisão judicial. Isso é um grande avanço.”

Segundo ela, também vale ressaltar que a abordagem do Twitter é muito melhor do que a adotada pelo Facebook, que é constantemente acusado de apagar conteúdo com pouco ou nenhum aviso. Mensagens enviadas por dissidentes da Síria que mencionavam os ataques com armas químicas ocorridos no ano passado, por exemplo, vêm sendo apagadas, de acordo com o blogueiro Brown Moses, que diz que a rede social estaria privando o mundo de um registro fundamental daqueles acontecimentos.

“Quase fácil demais”

Como analisa Mathew Ingram, “o que é preocupante na ferramenta que bloqueia um conteúdo seletivo do Twitter é que […] a censura parece quase fácil demais e incentiva governos como os da Turquia e do Paquistão a usá-la para qualquer coisa que pareça, ainda que remotamente, ofensiva ou irritante, numa lista que parece crescer a cada dia.”

“Ao eliminar seletivamente o conteúdo”, continua ele, “o mundo se torna um pouco menos aberto sem que a maioria das pessoas compreenda o que está acontecendo.”

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