Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

MONITOR DA IMPRENSA > CASO ‘NEWS OF THE WORLD’

Andy Coulson terá novo julgamento por acusação de suborno

01/07/2014 na edição 805
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Katrin Bennhold [“Andy Coulson to Face Retrial in Royal Phone Hacking Case, The New York Times, 30/6/14] e de Lisa O’Carroll [“Andy Coulson to face retrial over alleged payments to public officials”, The Guardian, 30/6/14]

A promotoria do caso dos grampos telefônicos do tabloide britânico News of the World anunciou na segunda-feira [30/6] que pedirá um novo julgamento do ex-editor-chefe Andy Coulson, já que o júri não conseguiu chegar a um veredicto sobre duas acusações de suborno. Coulson foi condenado na semana passada por conspiração para grampear telefones ilegalmente, mas o juiz dispensou o júri depois que não se chegou a um acordo sobre duas acusações de pagar dinheiro a funcionários públicos em troca do vazamento de informações.

O ex-editor Clive Goodman também terá novo julgamento por conta das acusações de suborno. Em 2007, ele foi condenado a quatro meses de prisão por hackear mensagens de funcionários da família real. Foi por causa deste episódio que Coulson deixou o jornal.

Coulson pode ser condenado a até dois anos de prisão pelo veredicto de conspiração, e espera-se que o juiz apresente a sentença até o fim desta semana. Outros três jornalistas do News of the World que declararam-se culpados antes do início do julgamento também devem ser sentenciados. Um quarto jornalista que admitiu ter grampeado telefones receberá a sentença no fim de julho.

A ex-executiva da News International (hoje rebatizada de News UK) Rebekah Brooks, que precedeu Coulson na chefia do News of the World, foi absolvida de todas as acusações, entre elas a de grampear telefones e de conspirar para esconder evidências da investigação policial.

Prática sistêmica

A promotoria alega que, como sub de Rebekah, de 2000 a 2003, e, posteriormente, como editor-chefe, nos quatro anos seguintes, Coulson permitiu que a prática de grampos ilegais em busca de furos jornalísticos ocorresse de forma sistêmica. Os promotores também argumentam que o jornalista – que posteriormente se tornou diretor de comunicação do primeiro-ministro David Cameron – teria permitido o suborno de funcionários públicos em troca do diretório telefônico com os números dos funcionários da família real, usados posteriormente para interceptar mensagens de voz de seus telefones.

Segundo a polícia britânica, milhares de telefones foram alvo dos grampos do tabloide. O promotor Andrew Edis classificou a lista de vítimas como o “quem é quem nos primeiros cinco anos do século”. Além de parentes de cidadãos comuns envolvidos em eventos de interesse jornalístico – como as vítimas do ataque terrorista ao metrô de Londres em 2005 –, os hackeados incluíam celebridades, esportistas de destaque e políticos.

Apesar de ter deixado o jornal por conta da acusação a Clive Goodman, em 2007, Coulson passou anos alegando que não sabia da prática dos grampos. E, ainda que o jornalista tenha sido preso junto com o investigador particular que fazia esse tipo de serviço para o tabloide, foi apenas em 2011 que o escândalo atingiu seu ápice, quando descobriu-se que o News of the World havia, anos antes, grampeado o telefone de uma adolescente desaparecida. O magnata Rupert Murdoch decidiu então encerrar suas operações.

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