Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

MONITOR DA IMPRENSA > ESCÂNDALO DOS GRAMPOS

Irmã de Milly Dowler critica relação entre políticos e imprensa

01/07/2014 na edição 805
Tradução: Pedro Nabuco e Leticia Nunes, edição de Leticia Nunes. Informações do Guardian [“Milly Dowler’s sister attacks new press watchdog after phone-hacking verdicts”, Press Association, 25/6/14] e da BBC News UK [“Gemma Dowler speaks out after hacking verdicts”, 25/6/14]

Após o fim do julgamento do caso dos grampos telefônicos no News of the World, na semana passada, Gemma Dowler, irmã de Milly, a adolescente que teve seu telefone grampeado pelo jornal em 2002 e, posteriormente, foi encontrada morta, veio a público criticar a relação entre os políticos e a imprensa no Reino Unido.

O grupo independente Hacked Off, que faz campanha por uma imprensa livre e responsável, divulgou o vídeo com a declaração de Gemma em uma coletiva de imprensa após o veredicto de terça-feira passada [24/6], que condenou Andy Coulson e absolveu Rebekah Brooks, os dois editores-chefes do tabloide no período em que ocorreram os grampos. Depois de deixar o jornal, em 2007, Coulson tornou-se diretor de David Cameron, então líder do Partido Conservador, e continuou no cargo quando Cameron foi eleito primeiro-ministro, em 2010.

A menina Amanda Dowler, conhecida como Milly, tinha 13 anos quando desapareceu na cidade de Walton on Thames, e o caso teve grande repercussão na imprensa britânica. Alguns meses depois, ela foi encontrada morta. O assassino, Levi Bellfield, cumpre prisão perpétua pelo crime. Descobriu-se, nove anos após o caso, que o News of the World grampeou a caixa de mensagens de Milly para tentar obter informações sobre o paradeiro da menina – havia a suposição de que ela poderia ter fugido de casa.

Relação incestuosa

Falando sobre a relação entre a imprensa e os políticos, que classificou de “incestuosa”, Gemma citou o caso de sua irmã: “Tony Blair, que era o primeiro-ministro quando Milly desapareceu, não nos telefonou quando soube que o telefone de Milly havia sido hackeado. Mas quando soube que a polícia estava investigando Rebekah Brooks, ligou para ela para oferecer seu apoio”.

Gemma pediu que o primeiro-ministro e os líderes dos partidos britânicos apliquem as propostas de regulação da imprensa feitas após o encerramento do Inquérito Leveson – comissão formada a pedido de Cameron para que se avaliasse os padrões de qualidade da imprensa, depois que o escândalo dos grampos veio à tona. “Nós sabemos que, durante anos, sérios crimes foram cometidos em grande escala por parte da imprensa. Pessoas comuns sofreram terrivelmente devido a jornalistas que invadiram seu luto e roubaram informações privadas”, afirmou.

A irmã de Milly disse ainda que o Ipso, novo órgão de regulação da imprensa, bancado pela maior parte da indústria, é “insignificante”. “São apenas os jornais cuidando de si próprios. Algo precisa ser feito para garantir que o que aconteceu com a minha família não aconteça novamente”, ressaltou.

Ainda que se diga satisfeita com a implantação do inquérito Leveson, Gemma afirmou que “não esqueceu” as promessas feitas por David Cameron sobre os abusos da imprensa. “Muitas das vítimas, incluindo meus pais, tiveram que reviver algumas tragédias terríveis quando testemunharam sobre os abusos da imprensa. Elas fizeram isso na esperança de que o primeiro-ministro garantisse que as coisas mudariam, como ele prometeu. Dando-se ao trabalho de implantar este inquérito, certamente todos os líderes dos partidos deveriam agora manter suas promessas e aplicar as propostas do juiz Leveson”, disse ela, completando que o novo órgão regulador é uma fraude, não atende às recomendações do inquérito Leveson e não é bom o bastante para as mudanças necessárias para a imprensa.

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