Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > AL JAZEERA

No Egito, condenação de jornalistas é parte de luta contra o terrorismo

01/07/2014 na edição 805
Tradução: Jô Amado, edição de Leticia Nunes. Informações de Bethany Bell [“Egyptian view differs on jailing of al-Jazeera journalists”, BBC News, 24/6/14], de David Keyes [“Egypt jails journalists and America sends military aid”, Vice News, 24/6/14] e de Merrill Knox [“Journalists worldwide protest Egypt’s Al Jazeera verdict”, TVNewser, 24/6/14]

Enquanto jornalistas em todo o mundo prestavam solidariedade aos três colegas da Al Jazeera condenados no Cairo, no dia 23/6, a até dez anos de prisão, e o presidente americano Barack Obama divulgava uma declaração afirmando que o veredicto representa um golpe no progresso democrático, a história era contada de outra maneira no Egito.

A condenação dos jornalistas é vista como parte de uma luta contra pessoas que apoiam o terrorismo. O correspondente australiano Peter Greste e o chefe da sucursal da Al Jazeera no Cairo, Mohamed Fahmy, foram sentenciados a sete anos de prisão; o produtor egípcio Baher Mohamed foi condenado a 10 anos. Os três, junto com outros profissionais da emissora julgados in absentia, eram acusados de apoiar a Irmandade Muçulmana e disseminar notícias falsas, pondo em risco a segurança nacional.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, disse que não iria interferir nas decisões do tribunal. Havia esperanças de que al-Sisi pudesse considerar um indulto, o que teoricamente ainda é possível. Mas existem vários motivos para que ele não leve o indulto em consideração por enquanto. O presidente chegou ao poder prometendo acabar com a facção político-religiosa Irmandade Muçulmana, apontada por seus partidários como organização terrorista. O então presidente Mohamed Morsi, que tinha o apoio da Irmandade, foi deposto pelos militares em julho passado após enormes manifestações populares. Desde então, milhares de seus apoiadores foram presos.

Porta-voz

Muitos egípcios veem a Al Jazeera como porta-voz da Irmandade Muçulmana. Culpam a emissora por transmitir uma imagem violenta de seu país no exterior, prejudicando a indústria extremamente importante do turismo. Ao contrário da Al Jazeera em língua inglesa – cujas reportagens são normalmente consideradas imparciais e gozam de credibilidade –, o canal da rede focado no Egito é considerado abertamente pró-Irmandade Muçulmana e é acusado de incitar protestos contra o governo.

Além disso, a Al Jazeera pertence ao governo do Catar, que é um importante apoiador da Irmandade Muçulmana. O conflito entre os dois países é ainda mais complicado porque o Egito deve ao Catar pelo menos R$ 6,5 bilhões em empréstimos.

Em artigo na BBC News, a correspondente Bethany Bell afirma que existe, no Egito, uma forte rejeição à interferência estrangeira em assuntos internos e uma apologia do sistema legal. Após a sentença dos jornalistas, na semana passada, as manchetes dos jornais eram reveladoras. “O Egito opõe-se à interferência estrangeira em decisões judiciais”, publicou o jornal estatal al-Ahram al-Masai. O diário al-Tahrir sugeriu que as condenações foram uma resposta direta e ousada às críticas feitas pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em sua visita recente ao Cairo. “A raiva que vem da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, da Holanda e da Austrália não é importante para nós porque estamos aplicando a lei egípcia que governa o país”, diz Saeed al-Lawindi, especialista em relações internacionais do Centro al-Ahram para Estudos Políticos. “Não fazemos comentários sobre assuntos judiciais da Grã-Bretanha ou dos Estados Unidos. Então, por que eles deveriam fazer comentários sobre os nossos?”.

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