Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

MONITOR DA IMPRENSA > O DIREITO DE SER ESQUECIDO

Jornal britânico já tem seis artigos fora do Google europeu

08/07/2014 na edição 806
Tradução: Jô Amado, edição de Leticia Nunes. Informações de James Ball [“EU’s right to be forgotten: Guardian articles have been hidden by Google”, The Guardian, 2/7/14], Guy Clapperton [“Is Google Wriggling Out Of Right To Be Forgotten?”, Forbes, 3/7/14] e Harrison Weber [“Europe’s ‘right to be forgotten’ law is already destroying itself”, Venture Beat, 3/7/14]

Em consequência da decisãoda mais alta corte da União Europeia de que as pessoas têm o direito de solicitar a remoção de citações sobre elas dos mecanismos de busca online, seis artigos do diário britânico The Guardian desapareceram dos resultados do Google, segundo o jornalista James Ball, que trabalha no jornal. A legislação aprovada ficou conhecida como “o direito de ser esquecido”.

Três dos artigos, de 2010, referem-se ao atualmente aposentado árbitro de futebol escocês Dougie McDonald, que teria mentido sobre os motivos que o levaram a conceder um pênalti numa partida entre o Celtic e o Dundee United. Qualquer pessoa que acesse a versão norte-americana do Google, Google.com, verá os três artigos do Guardiansobre o incidente. Acessando a página britânica, Google.co.uk, os artigos terão desaparecido por completo.

O “direito de ser esquecido” é uma ameaça ao jornalismo, à liberdade de expressão e à própria internet, critica o jornalista Harrison Weber, do site Venture Beat. A história teve início com um advogado espanhol chamado Mario Costeja González, citado em uma matéria de um jornal de seu país sobre a reintegração de posse de sua casa após a contração de dívidas. Num esforço – bem sucedido – para remover o tal artigo do Google, Costeja González acabou provocando um debate internacional, observa Weber.

A BBC também teve um artigo removido pelo Google. Em 2/7, a rede pública britânica foi notificada pela ferramenta de busca sobre a remoção: “Notificação da remoção do buscador do Google: lamentamos informar que não poderemos mais exibir as seguintes páginas de seu website em relação a determinadas buscas nas versões europeias do Google: http://www.bbc.co.uk/blogs/legacy/thereporters/robertpeston/2007/10/merrills_mess.html.”

Macetes para driblar o “esquecimento”

A decisão do tribunal europeu, segundo o jornalista Guy Clapperton, da revista Forbes, determina que empresas e cidadãos têm o direito de ser esquecidos na internet – ou, em outras palavras, a ter informações removidas do Google, o que é preocupante. Para as gerações mais novas, nascidas e criadas com a internet, há a sensação de que, se algo some do Google, significa que acabou.

Voltando ao Guardian, os outros artigos que sumiram – sem que o jornal tenha recebido qualquer explicação para a remoção – foram um texto sobre trabalhadores franceses fazendo arte de papéis colantes, de 2011; um sobre um advogado enfrentando uma acusação de fraude e um índice de uma semana inteira de comentários do blog sobre mídia assinado pelo professor de jornalismo Roy Greenslade.

O Guardian não tem como argumentar contra o fato de que parte de seus textos jornalísticos tenha se tornado impossível de acessar para a maioria dos 368 milhões de europeus. O lado curioso da decisão judicial é que, apesar de removido das ferramentas de busca, o conteúdo permanece disponível em sua página original.

O Google, ainda que tenha começado a cooperar com a decisão judicial, encontrou formas de avisar aos internautas que eles podem estar perdendo algo: em qualquer busca de nome próprio na versão europeia do site, o leitor vê a advertência: “os resultados poderão ser restritos”. Além disso, no canto direito da parte inferior da página inicial do Google há um link dizendo: “Use o google.com”. Quem o fizer encontrará os resultados completos, sem o filtro europeu.

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