Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > AL JAZEERA NO EGITO

Presidente reconhece impacto negativo de condenação de jornalistas

08/07/2014 na edição 806
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Ali Abdelaty [“Egypt’s Sisi says he wishes Al Jazeera journalists were not tried”, Reuters, 7/7/14] e da Associated Press [“Egypt’s president says al-Jazeera journalists should never have been tried”, 7/7/14]

Um jornal egípcio divulgou, na segunda-feira [7/7] , uma declaração do presidente Abdel Fattah al-Sisi afirmando que o veredicto recebido por três jornalistas da Al Jazeera, condenados por disseminar notícias falsas e pôr em risco a segurança nacional, teve impacto “muito negativo”.

Segundo o diário privado Al-Masry Al-Youm, al-Sisi disse que preferia que os jornalistas – condenados a até 10 anos de prisão por supostamente ajudar a Irmandade Muçulmana – tivessem sido deportados, e não ido a julgamento. O presidente fez a declaração – o primeiro reconhecimento oficial de que o julgamento e a condenação dos profissionais de imprensa teriam prejudicado as relações internacionais do Egito – em um encontro com jornalistas locais no domingo [6/7].

Inicialmente, al-Sisi havia afirmado que não iria interferir em decisões tomadas por tribunais. O comentário recente, no entanto, seria uma sugestão de mudança de opinião, indicando que ele possa considerar usar seu poder para perdoar os jornalistas. O correspondente australiano Peter Greste; o chefe da sucursal do Cairo, Mohamed Fahmy, que tem dupla cidadania egípcio-canadense; e o produtor egípcio Baher Mohamed ainda podem apelar diante de uma corte mais alta. Greste e Fahmy foram sentenciados a sete anos de prisão após um julgamento que durou cinco meses, enquanto Mohamed recebeu sentença de 10 anos de prisão.

O desfecho do caso provocou indignação de jornalistas, organizações internacionais em defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, e autoridades de diversos países. Em sua declaração, al-Sisi afirmou que a condenação não teve motivação política. “O veredicto contra os jornalistas teve consequências muito negativas, e nós não tivemos nada a ver com ele”, disse, completando, “eu gostaria que eles tivessem sido deportados imediatamente após sua prisão, em vez de levados a julgamento”. Não ficou claro como Mohamed, que é cidadão egípcio, poderia ser deportado.

Repercussão internacional

Greste, Fahmy e Mohamed foram detidos em dezembro, no hotel que usavam de escritório depois que a redação da Al Jazeera no Cairo foi fechada, seguindo a deposição do presidente Mohamed Morsi, em julho. O grupo político-religioso Irmandade Muçulmana, que apoiava Morsi, foi classificado de organização terrorista e banido do país pelo novo governo, liderado por al-Sisi, então ministro da Defesa e chefe do Exército. Milhares de membros do grupo foram mortos nos últimos meses.

A Al Jazeera é financiada pelo xeque do Catar, país que apoia a Irmandade. Outros jornalistas da emissora, que está proibida de atuar no Egito, também foram intimados no mesmo caso e julgados in absentia, pois encontram-se fora do país. Representantes da Al Jazeera declararam que o veredicto desafiava “a lógica, o bom senso e qualquer semelhança com a justiça”. O governo dos EUA descreveu as sentenças como “assustadoras” e “draconianas”, enquanto o Reino Unido convocou o embaixador egípcio no país para protestar contra a condenação.

O irmão de Peter Greste, Andrew, disse não saber se o comentário do presidente egípcio levaria a uma solução positiva para os jornalistas, mas ressaltou que a repercussão internacional da condenação não foi algo positivo para o governo. “Estou certo de que as imagens de Peter em uma jaula no tribunal não são imagens que o Egito realmente quer disseminar pelo mundo. E estou certo de que a publicidade obtida com o caso não é o tipo de publicidade desejada por qualquer país”, afirmou.

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