Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > ISRAEL & PALESTINA

Correspondentes sofrem intimidação na cobertura do conflito

29/07/2014 na edição 809
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Robert Mackey [“Foreign Correspondents in Israel Complain of Intimidation”, The New York Times, 24/7/2014]

A Associação de Imprensa Estrangeira em Israel condenou o incitamento a ataques contra jornalistas que reportam o conflito em Gaza. Segundo a organização, existiria um estímulo oficial e extraoficial em Israel para impedir o trabalho de repórteres, fotógrafos e equipes de TV.

A associação divulgou uma declaração depois que cidadãos israelenses começaram a hostilizar correspondentes estrangeiros na região. Aparentemente, haveria uma parcela da população indignada com o “tom pró-Palestina” da cobertura sobre a ofensiva de Israel em Gaza.

Alguns casos de hostilidade contra jornalistas foram citados pela associação. Um deles é o da correspondente da CNN Diana Magnay, que reportava ao vivo de uma colina em Sderot, onde residentes se reuniam para comemorar os ataques de Israel. Diana contou no Twitter que algumas pessoas ameaçavam destruir o carro da emissora se “ela dissesse algo errado” durante a transmissão. Irritada, a jornalista chamou estas pessoas de “escória” em um post no microblog, e acabou sendo afastada da cobertura. A CNN informou que ela foi transferida para Moscou.

Um correspondente da BBC Arabic foi agredido enquanto reportava ao vivo na cidade israelense de Ashkelon, próxima a Gaza. Feras Khatib usava um colete que o identificava como membro da imprensa quando um homem o empurrou.

A associação também reclamou de um ataque militar israelense aos escritórios da emissora Al-Jazeera em Gaza. Apesar do ministro da Defesa de Israel ter se desculpado e prometido investigar o caso, afirmando ter se tratado de um erro, o ataque aconteceu apenas um dia após o ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Liberman, afirmar que a rede de TV do Catar é “o principal meio de propaganda do Hamas” e que “transmitia ao mundo mentiras”, “encorajando terroristas”. O ministro também disse que estava reavaliando o status da Al-Jazeera com a intenção de impedir que ela continuasse a operar em Israel.

Em busca de atenção internacional

Em Gaza, o tratamento recebido pelos correspondentes estrangeiros é, em geral, mais positivo, já que parte dos cidadãos acredita que as reportagens realizadas pela imprensa estrangeira mostrando o sofrimento e a situação locais podem chamar a atenção do resto do mundo e trazer ajuda.

Porém, também há casos de hostilidade contra jornalistas. O correspondente Jonathan Miller, da rede de TV britânica Channel 4 News, contou no Twitter que ele e sua equipe foram ameaçados por residentes em Gaza. Segundo ele, estas pessoas os viam como parte da comunidade internacional que as traiu.

 

 

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