Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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MONITOR DA IMPRENSA > JORNALISMO LOCAL

Jornais voltados a comunidades de imigrantes fazem sucesso nos EUA

12/08/2014 na edição 811
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Devjyot Ghoshal [“Newspapers That Aren’t Dying”, The Atlantic, 26/6/14]

Diante de uma imprensa que enfrenta dificuldades para sobreviver financeiramente, com a circulação impressa em queda e a migração da receita publicitária para a mídia digital, um tipo de imprensa local mostra-se forte nos EUA: o jornal étnico feito por imigrantes para imigrantes.

Hoje, existem cerca de 100 jornais étnicos na cidade de Nova York, com quase três milhões de leitores somados, de acordo com a Associação de Imprensa de Nova York. Nos últimos dois anos, pelo menos 21 novos jornais étnicos foram lançados.

Essas publicações são produzidas, muitas vezes, em porões de casas de imigrantes, com poucos funcionários, e em alguns casos apenas uma pessoa é responsável pela produção do jornal inteiro. Elas sobrevivem graças ao enorme número de imigrantes nas grandes cidades americanas. Nova York, por exemplo, tem mais de três milhões de residentes imigrantes ou filhos de imigrantes.

De acordo com um estudo conduzido em 2005, intitulado A Mídia Étnica na América: O Gigante Escondido à Vista, quase um quarto da população dos EUA lê a imprensa étnica. Desses, 29% são consumidores primários e 22%, consumidores secundários que preferem a grande mídia, mas também acessam os pequenos jornais étnicos regularmente.

A importância do anunciante local

Esses jornais se aproveitam de um mercado que cresceu muito nas últimas duas décadas, e também têm a seu favor o fato de muitos imigrantes não serem fluentes em inglês e, por isso, recorrerem aos jornais escritos em suas línguas maternas. Isso acaba atraindo anunciantes que têm como alvo determinada comunidade de imigrantes. Assim, diferentemente da maior parte dos grandes e tradicionais jornais, essa pequena mídia consegue se sustentar apenas com a receita proveniente da venda de espaço para anunciantes, em sua maioria pequenos comerciantes locais.

Os jornais Urdu Times, produzido por um imigrante paquistanês, e Queens Latino, feito por um jornalista colombiano, são dois exemplos dessa nova mídia. Ambos são voltados para as suas comunidades de imigrantes. E ambos sobrevivem graças à versão impressa do jornal.

Porém, o fato desses jornais étnicos estarem crescendo não significa que eles não enfrentam desafios. A crise financeira que atingiu os EUA nos últimos anos baixou em cerca de 12% o salários dos imigrantes. Para enfrentar a recessão, pequenos anunciantes locais tiveram que cortar os anúncios publicados nos jornais, derrubando a receita com publicidade. Esses veículos também encontram os mesmos desafios da grande imprensa, como, por exemplo, como fazer a transição do modelo de negócios do meio impresso para o digital.

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