Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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‘NYT’ passa a adotar termo ‘tortura’ para descrever tortura

12/08/2014 na edição 811

O editor-executivo do New York Times, Dean Baquet, publicou um editorial na quinta-feira [7/8] informando que o jornal passará a utilizar o termo “tortura” para descrever ações de interrogatório violentas. Até então, o Times se limitava a usar expressões como “métodos cruéis de interrogatório”.

A medida foi tomada após longos debates entre repórteres e editores, centrados principalmente nas descobertas dos métodos da CIA para interrogar suspeitos de terrorismo desde o atentado de 11 de Setembro de 2001. Até então, a palavra “tortura” tinha significado jurídico especializado e o Departamento de Justiça insistia que as técnicas não abrangiam a definição legal de “tortura” – o que, por sua vez, fazia o jornal evitar o termo.

Evolução do debate

Baquet diz que, atualmente, o debate está menos focado na questão de violação de estatutos ou na quebra de tratados de guerra e mais no fato de os métodos de interrogação funcionarem ou não, ou seja, na capacidade destes de gerar informações que de outra forma não seriam extraídas de seus prisioneiros. “Neste contexto, o significado jurídico da palavra ‘tortura’ torna-se secundário em relação ao seu sentido comum: a imposição intencional de dor para obrigar alguém a falar”, escreve Baquet. “Diante de tais mudanças, os repórteres pediram para reajustar sua linguagem. Eu concordei. De agora em diante o Times vai utilizar a palavra ‘tortura’ para descrever incidentes onde há certeza de que houve inflição de dor por parte de interrogadores em prisioneiros na tentativa de arrancar informações”.

Outros veículos

A agência de notícias Associated Press, em geral, usa descrições específicas das técnicas de interrogatório, aplicando-as ao contexto, como na frase a seguir: “A CIA voluntariamente fez uso de técnicas de afogamento, as quais há muito constam como tática de tortura, parte de seu arsenal de práticas adotadas após 2005”.

Já o jornal britânico The Guardian não tem orientações específicas no que diz respeito ao uso da palavra, mas quase sempre prioriza seu significado comum, contextualizando e detalhando para expor a questão o mais claramente possível.

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