Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > ACUSADO DE CENSURA

‘The Times’ se recusa a publicar anúncio sobre conflito em Gaza

12/08/2014 na edição 811
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Roy Greenslade [“The Timesrefuses to carry ad accusing Hamas of ‘child sacrifice’”, The Guardian, 8/8/14]; de Nancy Tartaglione [“In Turnabout From 2009, BBC & Sky Agree To Air Gaza Relief Appeal”, Deadline Hollywood, 7/8/14]; da BBC [“BBC to broadcast DEC Gaza appeal”, BBC, 7/8/14]; e do Haaretz [“U.K. broadcasters to air Gaza fund-raising appeal on Friday”, 7/8/14]

O jornal britânico The Times foi acusado de censura ao se recusar a publicar um anúncio sobre o conflito em Gaza. A peça trazia uma declaração escrita por Elie Wiesel – sobrevivente do holocausto e ganhador do Prêmio Nobel da Paz – e Shmuley Boteach, rabino ortodoxo norte-americano. O texto apela ao presidente dos EUA, Barack Obama, e a outros líderes mundiais a fim de “condenar o uso de crianças como escudos humanos pelo Hamas”.

A publicação da propaganda foi financiada por uma organização chamada This World: The Values Network, voltada à cultura judaica e fundada pelo prório Boteach. Ele se disse chocado com a postura do Times e chamou a rejeição ao anúncio de “censura da pior espécie para satisfazer ao fanatismo [do Hamas]”.

O anúncio de página inteira foi veiculado em cinco jornais norte-americanos, incluindo o New York Times, o Washington Post e o Wall Street Journal (este último parte do grupo News Corporation, mesmo proprietário do Times). O britânicoGuardian também concordou em veicular o anúncio, publicando-o na segunda-feira [11/8].

Uma porta-voz do Times alegou que o jornal simplesmente se reserva ao direito de rejeitar publicidade.

BBC mudou de ideia

Em 2009, a rede de TV britânica BBC passou por situação similar ao se recusar a transmitir um apelo por ajuda humanitária à Faixa de Gaza; a recusa rendeu aproximadamente 40 mil queixas e reuniu cerca de dois mil manifestantes diante dos escritórios da emissora em Londres.

À época, a BBC disse que a decisão foi tomada “para evitar qualquer risco de comprometimento à confiança do público” em relação a sua imparcialidade. A decisão foi atribuída ao então diretor-geral Mark Thompson (atualmente presidente-executivo da New York Times Company). Embora apoiado pelo BBC Trust, órgão que administra a rede, Thompson foi duramente criticado por políticos e membros do governo, bem como os arcebispos de Canterbury e de York.

De lá para cá, a postura da BBC mudou, visto que a rede e outras emissoras britânicas – incluindo a Sky, que também não veiculou o apelo em 2009 – concordaram em ceder tempo gratuito no ar para que o DEC – Disasters Emergency Committee (Comitê Emergencial para Desastres), organização formada por 13 instituições de caridade do Reino Unido, busque auxílio para os civis afetados pelo conflito em Gaza.

Em comunicado, a BBC disse ter considerado três questões para transmitir o apelo por ajuda humanitária para as vítimas de Gaza: a grandiosidade e urgência do desastre; a capacidade do DEC para prestar assistência humanitária eficaz e rápida numa escala que justifique um apelo nacional; e a crença de que um apelo público seria de grande utilidade para as vítimas.

A Sky fez declaração semelhante dizendo “julgar todos os pedidos de recursos pelo seu mérito”. No entanto, a emissora não vai exibir o apelo no canal Sky News, de alcance internacional, a fim de não comprometer a segurança dos repórteres que se encontram no Oriente Médio no momento.

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