Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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MONITOR DA IMPRENSA > BUZZFEED

Em meio a controvérsias, site recebe investimento milionário

19/08/2014 na edição 812
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Catalina Albeanu [“Why BuzzFeed is expanding with new Distributed division”, Journalism.co.uk, 14/8/2014], Elena Cresci [“21 things you need to know about BuzzFeed's success”, The Guardian, 11/8/2014], Chris O’Shea [“BuzzFeed Deleted More Than 4,000 Posts”, Media Bistro, 13/8/2014] e Will Oremus [“Why a Young Writer Secretly Deleted Her Own BuzzFeed Post”, Slate,

Com o anúncio de um investimento de 50 milhões de dólares da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz (que já apoiou empreendimentos como Twitter e AirBnB), o BuzzFeed está delineando planos de expansão, incluindo a criação de uma nova divisão: a BuzzFeed Distributed.

É um belo investimento, considerando que a página nasceu a partir de uma corrente de e-mails. Em 2001, seu fundador, Jonas Peretti, então com 27 anos, comprou um tênis customizável pela internet – o simples ato rendeu uma troca divertida de e-mails com um representante do atendimento ao cliente. Peretti então encaminhou a conversa a 10 amigos. O e-mail viralizou e seis semanas depois ele estava no Today Show (NBC), debatendo sobre suas práticas de trabalho com um porta-voz da Nike.

Peretti então quis provar que era capaz de viralizar outra corrente de e-mails, e conseguiu. Assim nasceu o BuzzFeed, que atualmente conta com uma audiência mensal de mais de 150 milhões de visitantes e possui escritórios espalhados pelo mundo, incluindo Londres, Mumbai, Sidney e Paris.

Facilitando o consumo de conteúdo

O objetivo da BuzzFeed Distributed é criar conteúdo original para circular diretamente nas redes sociais, especialmente em plataformas e aplicativos como Instagram, Vine, Tumblr e Snapchat. Segundo Summer Anne Burton, que irá liderar o projeto, a expansão segue a tendência de busca por sites, aplicativos e plataformas que unem conteúdo e rede social. De acordo com ela, o público hoje acessa a internet muito mais de aparelhos celulares do que do computador.

O conteúdo publicado pelo BuzzFeed em tais canais será reduzido, mais facilmente consumível e muito mais visual – e não vai mirar no redirecionamento do tráfego para o site do BuzzFeed. O plano agora é contratar ilustradores, animadores e artistas para explorar o lado visual das redes. Eles vão produzir principalmente conteúdo de entretenimento e, com base no sucesso dos experimentos iniciais, vão focar em notícias.

A BuzzFeed Distributed já está começando a contratar pessoal e vai dar início à produção de conteúdo nos próximos meses; no entanto, é provável que o lançamento oficial da nova divisão só ocorra no início de 2015.

Sucesso

Em um artigo bem humorado para o jornal britânico The Guardian, a jornalista Elena Cresci listou 21 razões para explicar o sucesso do BuzzFeed (o layout da matéria seguiu o já conhecido formato das listas publicadas pelo próprio BuzzFeed). De acordo com Elena, o site não é apenas um amontoado de listas repletas de gatinhos e gifs: ele se tornou uma espécie de referência que praticamente dita o tom das mídias digitais.

Elena também frisou a capacidade que o BuzzFeed tem de compreender as mídias sociais: 75% de seu tráfego vem daí.

Para Summer Anne Burton, uma das razões do sucesso do BuzzFeed é o fato de a empresa visar sempre o futuro, sem se prender às estratégias bem-sucedidas do passado.

O sumiço dos textos

Apesar do sucesso (ou, quem sabe, por causa dele), o BuzzFeed nem sempre escapa de polêmicas. Em julho de 2014, o site demitiu seu editor de política viral, Benny Johnson, após descobrir que ele havia plagiado outros sites.

E, de acordo com o Gawker, no final de abril de 2014 mais de quatro mil postagens foram deletadas do site sem explicação. Não se sabe se o caso pode estar relacionado aos textos plagiados por Johnson (ou mesmo por outros plágios). Ben Smith, atual editor-chefe do BuzzFeed, recusou-se a comentar a situação. Já Jonas Peretti disse apenas que, até onde ele sabe, todas as postagens apagadas foram aquelas publicadas antes de dezembro de 2011, época em que o BuzzFeed deixou de ser uma startup de tecnologia experimental para se transformar numa “empresa editorial de boa-fé”.

Em artigo para a Slate, o jornalista Will Oremus questionou as datas informadas por Peretti, citando o caso de um texto publicado pela então funcionária Amy Rose Spiegel em fevereiro de 2013 e deletado em julho daquele ano. Ashley McCollum, porta-voz do BuzzFeed, explicou que o texto foi deletado pela própria Amy (após ser massivamente ridicularizado por jornalistas no Twitter), que o fez sem avisar à equipe do site. (Atualmente o artigo em questão já está de volta à página do BuzFeed, acompanhado de uma nota do editor).

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