Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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MONITOR DA IMPRENSA >

Movimentação no Twitter ajuda a libertar repórteres em Ferguson

19/08/2014 na edição 812

Dois jornalistas que cobriam os violentos protestos em Ferguson, no estado americano do Missouri, foram presos em 13/8 em um aparente caso de abuso policial. O curioso é que Wesley Lowery, do Washington Post, e Ryan Reilly, do Huffington Post, foram libertados meia hora mais tarde depois que outros jornalistas notaram seu sumiço das redes sociais. Os protestos em Ferguson tiveram início depois que um policial branco matou a tiros um jovem negro que estava desarmado.

Lowery e Reilly estavam em uma lanchonete que vinha sendo utilizada pela mídia como ponto de encontro quando a polícia chegou e tentou esvaziar o local. Aparentemente frustrados com a falta de pressa do jornalistas, os policiais decidiram prendê-los.

Enquanto estava sendo levado pela polícia, Lowery gritou para Reilly que tuitasse que ele estava sendo preso. O repórter do Huffington Post, no entanto, também estava sendo algemado. Minutos após as prisões, outros jornalistas começaram a notar – e a questionar, no Twitter – o sumiço dos dois repórteres. Esses tuites foram rapidamente percebidos pela redação do Post, e um editor decidiu ligar para Lowery, que não pôde atender. O silêncio nas redes sociais e no telefone foi o suficiente para a redação perceber que algo tinha acontecido com seu jornalista durante a cobertura dos protestos e ir atrás de uma solução.

Comunicação em tempo real

O caso mostra como uma rede social ajudou a resolver uma crise. Se Ryan Reilly tivesse conseguido tuitar que ambos estavam sendo presos, talvez os dois repórteres tivessem sido liberados antes. Também é possível perceber como a redação do Post soube do ocorrido não através de um telefonema, mas acompanhando as redes sociais de outros repórteres e notando que seu jornalista havia parado de reportar os andamentos dos protestos em tempo real.

Lowery publicou um relato no Washington Post sobre sua detenção:

“Nós pedimos para falar com algum superior. Perguntamos por que estávamos sendo presos. Fomos informados: intrusão em um McDonalds.

‘Espero que você esteja feliz’, um policial me falou. E eu respondi: ‘Esta história vai sair daqui. Vai se capa do Washington Post amanhã.”

E ele falou: ‘Bem, você vai passar a noite na minha cadeia.’”

As mídias se complementam

Em artigo em seu site, o professor de jornalismo Jeremy Littau chamou atenção para a reação à prisão de Lowery e Reilly e fez um apelo para que os direitos e a segurança dos jornalistas cidadãos em coberturas como a de Ferguson também sejam defendidos.

No Gigaom, Mathew Ingram notou que plataformas como o Twitter, que juntam um grande número de pessoas, têm um papel extremamente relevante na cobertura de protestos e conflitos com a polícia, já que, normalmente, jornalistas profissionais não conseguem testemunhar casos pontuais de abuso policial.

Já Kara Brown, do Jezebel, ressaltou que os incidentes em Ferguson mostram como as mídias tradicional e social se complementam para denunciar e chamar a atenção para casos de abuso de poder.

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