Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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MONITOR DA IMPRENSA > FERGUSON, MISSOURI

Detenção de repórteres chama atenção para truculência policial

26/08/2014 na edição 813
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Scott Roxborough [“Arrests of Journalists Shine International Media Spotlight on Ferguson”, The Holywood Reporter, 20/8/14], do The Local [“German journalists arrested in Ferguson”, 19/8/14] e de Brian Ries (com contribuição de Amanda Wills) [“Officer Is Suspended After Telling Media in Ferguson: ‘I Will F*cking Kill You’”, Mashable, 20/8/14]

         

As prisões de profissionais de imprensa durante a cobertura dos protestos violentos na cidade de Ferguson, nos EUA, deram início a um debate, nas redes sociais, sobre abuso de poder e o despreparo das autoridades policiais diante de manifestações populares. Três jornalistas alemães foram presos na cidade na terça-feira [19/8].

Ansgar Graw, repórter do tabloide alemão Die Welt; Frank Herrmann, jornalista freelancer; e Lukas Hermsmeier, repórter do tabloide alemão Bild Das, foram presos no bairro de St. Louis. Eles pretendiam cobrir os protestos em Ferguson, onde a população se revoltou contra a polícia local em razão do assassinato de Michael Brown, jovem de 18 anos que foi morto à queima-roupa após ser rendido por um policial no dia 9/8.

Graw alegou que sua prisão foi “ridícula” e que retrata a incapacidade da polícia local de lidar com a situação. Ele disse também que o policial que o prendeu se recusou a fornecer seu nome. Graw e Herrmann tiveram seu pertences pessoais confiscados e foram levados a uma delegacia em St. Louis. Pedidos por água foram ignorados, bem com o direito de dar um telefonema. Ambos foram liberados após três horas de detenção, sem receber maiores explicações e sem registro de acusações formais.

Já Hermsmeier chegou a ser ferido pelos policiais. Ele alegou que, quando a polícia começou a disparar gás lacrimogêneo contra os manifestantes, ele e um colega jornalista ergueram os braços e se identificaram como imprensa. Alguns policiais ignoraram e começaram a atirar balas de borracha. Hermsmeier foi atingido por três tiros e preso em seguida.

“Agressão à liberdade de imprensa”

Os incidentes com os jornalistas alemães não são casos isolados. Os repórteres Wesley Lowery, do Washington Post, e Ryan Reilly, do Huffington Post, foram detidos em 13/8 quando policiais tentavam evacuar uma lanchonete que eles usavam como base para trabalhar. Já membros de uma equipe da emissora de TV Al Jazeera America foram atingidos por balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, mesmo após identificação. Um porta-voz da emissora classificou o episódio como “uma agressão flagrante à liberdade de imprensa, voltada para abalar nossa capacidade de cobrir um acontecimento tão importante”.

Apesar da indignação nas redes sociais com o que é visto como abuso de poder, há quem ache que os policiais estão apenas cumprindo sua função. O apresentador de TV Joe Scarborough, anfitrião do programa Morning Joe, da emissora MSNBC, argumentou que os próprios jornalistas são culpados por não obedecerem às instruções da polícia.

Já veículos de comunicação estatais chineses e russos têm se aproveitado da situação para atacar o governo americano. Um editorial do Global Times, jornal de língua inglesa publicado na China, classificou os incidentes em Ferguson como “irônicos”, alegando que os EUA deixam de assimilar as barbáries locais para “apontar o dedo para a China”.

Truculência

Na internet, circulam diversos vídeos mostrando a truculência policial. Em alguns deles, os policiais são ríspidos com manifestantes – apontando armas, fazendo ameaças de morte e usando palavreado chulo –, e em outros chegam a ordenar aos jornalistas que desliguem suas câmeras.

Um policial de Ferguson foi afastado de seu posto por tempo indeterminado após apontar um fuzil semiautomático para um manifestante e ameaçar matá-lo, durante uma manifestação pacífica na noite de terça-feira [19/8]. Brian Schellman, porta-voz da polícia do Condado de St. Louis, disse que o incidente foi lamentável e que não representava os profissionais que “trabalham diariamente em Ferguson para manter a paz”.

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