Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > PROFISSÃO PERIGO

Execução de James Foley reacende debate sobre segurança

26/08/2014 na edição 813
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Greg Botelho [“Brother: ‘More ... could have been done’ to save James Foley”, CNN, 23/8/14] e de Martin Chulov [“James Foley and fellow freelancers: exploited by pared-back media outlets”, The Guardian, 21/8/14]

Em 2011, o jornalista James Foley foi capturado na Líbia com outros dois profissionais, todos freelancers. O fotógrafo sul-africano Anton Hammerl foi morto na ocasião. Foley foi libertado depois de 44 dias – e em seguida voltou a cobrir zonas de guerra.

Em 2012, James Foley voltou a ser capturado, desta vez na Síria, perto da cidade de Binnish, na fronteira com a Turquia. Ele estava com um fotógrafo; era o último dia de uma viagem com duas semanas de duração para cobrir os conflitos no país.

No segundo sequestro, Foley não teve tanta sorte; seu destino foi selado em agosto de 2014, quando ele foi decapitado diante de uma câmera. O vídeo foi publicado no YouTube na terça-feira [19/8]. Nele, um membro do grupo terrorista ISIS ainda ameaçava matar outro jornalista americano – identificado como Steven Sotloff, sequestrado em 2013 – e dizia que outros reféns seriam assassinados caso os EUA não cessassem suas operações militares no Iraque.

Em declaração ao âncora Anderson Cooper, da CNN, Michael Foley, irmão de James, criticou o modo como o governo americano lida com grupos terroristas. Ao passo que nações europeias geralmente optam por pagar resgates para libertar seus reféns, os EUA alegam “não negociar com terroristas”.

Michael espera que o desfecho do sequestro do irmão ajude na melhora da comunicação entre as nações e entre governos e captores. Unidades de operações especiais americanas chegaram a ser enviadas à Síria a fim de resgatar Foley e outros reféns detidos por militantes islâmicos; no entanto, ninguém foi encontrado a tempo. Após o episódio com o jornalista, os EUA não suspenderam a campanha militar contra as forças da ISIS; na verdade, o país ameaçou intensificar os esforços no Iraque e na vizinha Síria.

Jornalistas sob risco

Em artigo para o jornal britânico The Guardian, o jornalista Martin Chulov – especializado em coberturas no Oriente Médio – condenou abertamente a postura da maioria dos veículos de comunicação para com jornalistas freelancers. Ele frisou que a maioria das organizações de notícias realiza suas reportagens sem qualquer orçamento, apoio ou mesmo treinamento adequado para tal. Ainda assim, a busca de conteúdo por agências de notícias e veículos de imprensa ainda é abundante, o que cria um paradoxo para os profissionais que fazem cobertura de guerra.

De acordo com Chulov, cada vez mais os jornalistas independentes contam apenas com a própria inteligência para sobreviver em ambientes hostis. “Trabalhar no norte da Síria, por exemplo, tem se tornado quase impossível por causa das ameaças de sequestro. Cada viagem ao longo da fronteira envolve um risco real de que seja sem volta”, reiterou.

Ele disse que este modelo de jornalismo tem criado oportunidades de trabalho para os profissionais mais ousados, mas que acaba fazendo com que veículos abram mão de suas responsabilidades. “As estações de rádio, redes de televisão e veículos da mídia impressa continuam a terceirizar sua cobertura a repórteres que muitas vezes trabalham sem proteção básica”, concluiu.

O Conselho de Segurança da ONU classificou a execução de James Foley como “hedionda e covarde”, e alertou para o crescente perigo enfrentado pelos jornalistas que cobrem os conflitos na Síria.

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