Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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MONITOR DA IMPRENSA > QUEM É JORNALISTA?

Redes sociais e smartphones borram ideia tradicional de jornalismo

26/08/2014 na edição 813
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Padraig Reidy [“When everyone is a journalist, is anyone?”, Index On Censorship, 21/8/14]

O baixo custo de equipamentos de gravação e o fácil acesso a redes sociais expandiram a capacidade de se reportar um fato. Hoje, a informação pode ser reportada – ou melhor, compartilhada – por qualquer pessoa que tenha na mão um celular com uma rede 3G, e não apenas por um jornalista profissional. A facilidade em se transmitir um vídeo ou foto de um acontecimento acaba levantando questões sobre o papel dos jornalistas. Uma das mais difíceis de responder talvez seja esta, feita por Padraig Reidy, colunista do site da organização Index on Censorship: se todo mundo pode fazer o trabalho dos jornalistas, o que acontece com os privilégios que apenas os jornalistas costumavam ter?

De acordo com Reidy, o jornalista, antigamente, era visto como aquele que podia vagar por uma cena sem ser incomodado, que podia fazer perguntas e esperar uma resposta, que filmava um protesto sem ter seu equipamento confiscado pelas autoridades – tudo isso, pelo menos, na teoria.

Esta ideia do profissional de imprensa tem mudado drasticamente. Nos recentes protestos na cidade americana de Ferguson, no estado do Missouri, jornalistas foram intimidados, detidos, impedidos de reportar e tiveram seus equipamentos confiscados pela polícia. Pelo menos 17 membros da imprensa foram presos ou ameaçados durante a cobertura dos violentos protestos – que tiveram início após a morte de um jovem negro por um policial branco. A imprensa, cada vez mais, tem sido alvo de repressão, enquanto os privilégios parecem ter desaparecido.

Reidy questiona se é possível manter a ideia destes privilégios quando todo mundo pode ser um jornalista em potencial. Pergunta o colunista: se alguém filma um confronto de uma multidão com as autoridades está automaticamente participando de uma atividade jornalística e por isso deve ter acesso aos privilégios? Ou o jornalismo depende do destino final do conteúdo que é produzido?

O fato é que acontecimentos como a repressão aos jornalistas durante os protestos em Ferguson e a execução do jornalista americano James Foley pelo ISIS – além da forma como o vídeo da execução foi divulgado nas redes sociais – demostram que o privilégio de poder reportar os acontecimentos sem ser um alvo em potencial ficou no passado.

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