Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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MONITOR DA IMPRENSA > JAMES FOLEY

Remoção de vídeo do Twitter e do YouTube levanta debate ético

26/08/2014 na edição 813
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Mathew Ingram [“Should Twitter and YouTube remove images of James Foley’s beheading, or do we have a right to see them?”, GigaOm, 20/8/14] e de Lily Hay Newman [“Did Twitter and YouTube Make the Right Call in Suppressing Images of James Foley’s Beheading?”, Slate, 21/8/14]

Após a divulgação, pelo grupo terrorista ISIS, de um vídeo mostrando a execução do jornalista americano James Foley, o Twitter e o YouTube – onde o vídeo foi inicialmente postado – fizeram operações de emergência para remover rapidamente de seus sites as imagens da decapitação.

No vídeo, Foley, que foi sequestrado na Síria em novembro de 2012, é assassinado por um homem mascarado vestido de preto. Imagens da execução foram rapidamente distribuídas nas contas do ISIS no Twitter e também por outros usuários, apesar dos apelos de alguns jornalistas para que as pessoas não as compartilhassem. O YouTube removeu o vídeo original e o Twitter avisou que suspenderia a conta de quem o compartilhasse no microblog.

Porém, por mais brutal que sejam as imagens da execução, questionou-se se é correto que essas plataformas decidam que tipo de conteúdo as pessoas podem ver ou quando o conteúdo se configura como notícia de interesse público ou apenas violência explícita.

Nu Wexler, membro da equipe de políticas públicas do Twitter, afirmou que a empresa removeu as imagens após uma solicitação da família de Foley, seguindo uma nova política interna. Além da remoção do conteúdo, o Twitter suspendeu algumas contas de pessoas que compartilharam as imagens, mas não contas de veículos de comunicação que também postaram fotos da execução, como, por exemplo, o jornal americano New York Post.

Entre as questões levantadas em artigos sobre o tema ao longo da semana, estavam: quem decide quando a imagem é conteúdo noticioso ou apenas uma foto de violência explícita? E se fosse uma foto de uma criança vietnamita que tivesse tido o corpo queimado por napalm, ou um homem sendo morto por policiais? O Twitter, ao contrário de veículos de comunicação tradicionais, deveria ser uma plataforma controlada pelos próprios usuários, e não moderada por editores desconhecidos, argumentaram alguns destes artigos.

Para a socióloga Zeynep Tufekci, em alguns casos as redes sociais devem remover conteúdo violento porque, ao ser distribuído, ele pode vir a estimular comportamento similar. Já o jornalista Glenn Greenwald, responsável pela divulgação inicial dos documentos vazados por Edward Snowden, acredita que a última coisa que a sociedade precisa é deixar nas mãos de corporações a decisão de qual conteúdo pode ou não ser visualizado na internet.

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