Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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MONITOR DA IMPRENSA >

News Corp critica acordo da UE com o Google

23/09/2014 na edição 817

A News Corporation, do magnata Rupert Murdoch, classificou o Google de “plataforma para a pirataria” e exortou a Comissão Europeia a descartar um acordo com a empresa americana. Em uma carta enviada no dia 8/9 a Joaquín Almunia, comissário europeu para competição e principal opositor à formação de cartéis, Robert Thomson, principal executivo da News Corp, repetiu outras críticas já feitas às funções de busca do Google, dizendo que a ferramenta “sistematicamente desvia os usuários de sites relevantes, encaminhando-os para seus próprios sites por motivos comerciais”.

“A internet deveria ser um espaço para a liberdade de expressão e para conteúdos de boa qualidade e duráveis. O enfraquecimento do modelo básico de negócios do conteúdo profissional levará a um nível de diálogo menos informativo e mais irritante em nossa sociedade”, afirmou Thomson.

A carta vem num momento crucial para a investigação de quatro anos que a União Europeia faz sobre as práticas do Google na Europa, onde a empresa opera 90% das buscas na internet. Em fevereiro, o Google concordou em mudar a maneira pela qual exibia o conteúdo de buscas para atender às preocupações da União Europeia de que estaria dando preferência a seus produtos e serviços em relação a seus concorrentes. Na época, Joaquín Almunia disse que a concessão feita pela empresa era satisfatória e que um acordo formal estava próximo. Desde então, um grande número de críticos do Google – de grupos de mídia a políticos europeus – levantou objeções ao acordo por este não aprofundar suficientemente os motivos de suas preocupações.

Guerra verbal

Um porta-voz do Google rejeitou, na quinta-feira (18/9), as críticas do executivo da News Corp e citou uma recente mensagem do presidente do Google, Eric Schmidt, alegando que o gigante de buscas não é a porta de acesso à internet, como dizem as editoras, e não impede a concorrência dando preferência a seus serviços nos resultados de busca. “Até hoje, nenhum órgão regulador se opôs a que o Google desse às pessoas respostas diretas a suas perguntas pelo simples motivo de que isso é o melhor para os usuários”, escreveu Schmidt na mensagem. Anteriormente, a empresa dissera que havia feito “mudanças significativas em sua proposta de acordo” para atender às preocupações da Comissão Europeia, “aumentando consideravelmente a visibilidade dos serviços de concorrentes e atendendo a outras questões específicas”.

A carta faz parte de uma nova guerra verbal entre a News Corp e o gigante da internet que irrompeu durante as negociações entre o Google e a Comissão Europeia sobre a legislação contra cartéis. Várias queixas foram encaminhadas à Comissão. A companhia acusou o Google de ser uma plataforma para a pirataria e a origem de “disseminação de vírus”.

Ao que o Google respondeu: “Êpa, coisa inesperada! Murdoch acusa o Google de comer seu hamster!”, em uma alusão a uma manchete de 1986 de um tabloide de Murdoch, The Sun. O artigo em questão (“Freddie Starr comeu meu hamster!”) afirmava que o comediante britânico teria comido um hamster, embora Starr tenha continuamente negado o episódio.

As críticas feitas por Thomson ao Google seguem-se a outras, semelhantes, feitas por editoras europeias, entre as quais a Axel Springer, que edita o jornal de maior circulação da Alemanha, o Bild Zeitung. A News Corp é bastante importante no mercado de mídia europeu e os comentários de Thomson acrescentam uma voz de peso ao debate sobre o acordo com o Google. Algumas empresas tecnológicas americanas, como a Microsoft e a Expedia, já fizeram críticas contundentes à proposta de acordo com a União Europeia.

“Temos medo do Google”, escreveu no início do ano Mathias Döpfner, diretor-executivo da Axel Springer, numa carta endereçada a Eric Schmidt. “Devo dizê-lo de forma clara e franca, pois poucos dos meus colegas se atrevem a fazê-lo em público.”

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