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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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MONITOR DA IMPRENSA > liberdade de expressão

Apesar das aparências, censura continua forte na Turquia

14/10/2014 na edição 820
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Jacob Weisberg [“Media censorship in Turkey: less visible but more effective?”, Financial Times, 9/10/2014]

Por dois anos, a Turquia ocupou o topo do rankingde jornalistas presos do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, com 60 profissionais atrás das grades. Hoje, este número baixou para apenas sete. A atitude das autoridades com relação ao trabalho da imprensa também parece ter mudado. Recentemente, em um encontro com uma comitiva de jornalistas para discutir a liberdade de expressão no país, o presidente Recep Tayyip Erdogan e o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu mostraram-se dispostos a tomar medidas para garantir sua manutenção.

Mas o que parece um cenário promissor, com menos censura e mais diálogo, pode ser enganador. A realidade é que a imprensa ainda sofre – e muito – para reportar livremente no país. Jornalistas que trabalham na Turquia descrevem um clima de medo e autocensura, com cada vez mais organizações de mídia sob controle do governo e cada vez menos veículos independentes. Isso resulta numa censura menos aparente, mas, ainda assim, efetiva.

Campanha de intimidação

Jornais críticos ao governo sofrem na justiça com a aplicação de penas arbitrárias, na tentativa de forçá-los a entrar em processo de falência e a ser vendidos para empresários ligados a membros do governo. De acordo com uma reportagemda agência Bloomberg, Erdogan obrigou o jornal independente Sabah a ser vendido para um consórcio de empresários liderados pelo seu cunhado. Desde então, o jornal se tornou porta-voz do governo e o cunhado do presidente assina uma coluna de opinião.

Jornalistas turcos que ousam criticar o governo sofrem diferentes tipos de retaliação, desde ações judiciais acusando-os de ofender as autoridades até pressão para que seus empregadores os demitam. Mais de 80 perderam seus empregos desde 2013.

Já os jornalistas estrangeiros, que dificilmente são alvos de ações judiciais, sofrem outros tipos de retaliação por matérias críticas ao presidente e ao primeiro-ministro. Oficiais do governo criticam publicamente profissionais que consideram ter escrito textos ofensivos, fazendo com que se tornem alvos de repressão na internet. A jornalista Ceylan Yeginsu, do New York Times, teve que deixara Turquia devido a ameaças sofridas após Erdogan criticar a legenda de uma foto publicada por ela numa matéria.

Em alguns casos, porém, o governo fracassa na tentativa de censurar as vozes dissidentes. Recentemente, o presidente tentou aprovar, sem sucesso, uma lei que permitiria que a agência de telecomunicações estatal removesse qualquer conteúdo da internet sem necessidade de ordem judicial. No início de 2014, o acesso ao Twitter e ao YouTube chegou a ser bloqueado, mas acabou restabelecidono país.

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