Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

MONITOR DA IMPRENSA > EBOLA

Cobertura nos EUA assusta muito e informa pouco

14/10/2014 na edição 820
Tradução: Pedro Nabuco e Leticia Nunes, edição de Leticia Nunes. Informações de Joanna Rothkopf [“A message to American media: Stop spreading Ebola fear and start being ashamed”, Salon, 6/10/2014] e de Abby Ohlheiser [“It’s highly unlikely that you’ll become infected with Ebola. So what are you so afraid of?”, The Washington Post, 5/10/2014]

A notícia de que o ebola ultrapassou as fronteiras africanas, com a confirmação do primeiro caso de transmissão dentro dos EUA, elevou a cobertura midiática americana sobre a doença a um patamar de sensacionalismo. Enquanto o vírus aparecia restrito ao continente africano, onde já matou mais de três mil pessoas, a imprensa dos EUA dedicava pouco tempo para reportar sobre a epidemia. Com a chegada de um liberiano infectado nos EUA, em setembro, a cobertura cresceu, é claro, mas se torna cada vez mais alarmista.

Enquanto a situação de países como Guiné, Serra Leoa e Libéria – onde cidadãos estão morrendo de doenças comuns devido ao caos que a epidemia do ebola impôs ao seu já frágil sistema de saúde – não recebe atenção da mídia americana, redes de TV debatem insistentemente “se o vírus vai se espalhar pelos EUA”.

Temas como “Por que Obama não fechou as fronteiras?” já foram levantados para debate por alguns canais de TV, como a Fox News. O canal conservador, por sinal, é um dos que mais investem na cobertura sensacionalista, com propostas para o fechamento das fronteiras e a restrição a voos comerciais vindos de países com pessoas infectadas pela doença.

Recentemente, a apresentadora Elisabeth Hasselbeck, numa entrevista com o médico Anthony Fauci, diretor do instituto nacional de alergias e doenças infecciosas, chegou a pressioná-lo com questões alarmistas, ajudando a propagar o sentimento de medo ao não explicar corretamente aos telespectadores sobre o vírus e as formas de contágio.

Desinformação

Uma pesquisa conduzida pela Universidade Harvard em agosto mostrou como boa parte da população americana está mal informada sobre o vírus. De acordo com a pesquisa, 70% dos entrevistados acreditam que o ebola se propaga “facilmente”, e um terço acha, erroneamente, que existe um tratamento efetivo para a doença.

Em um artigo especial de primeira página, publicado no início de outubro, o Washington Post resume o clima de pânico: “Esta é tanto uma praga biológica quanto psicológica, e o medo pode se espalhar mais rápido do que o vírus”. Em outro artigo no Post, a jornalista Abby Ohlheiser tenta fazer, em poucas palavras, o que grande parte da mídia tem falhado em fazer: explicar claramente como é transmitido o vírus e quais são os riscos. “É assim que se pega ebola”, escreve ela, já na primeira frase do texto. “Tenha contato direto com os fluidos corporais de uma pessoa que está infectada com o vírus e já apresenta os sintomas. O ebola não se transmite pelo ar. Uma pessoa em Washington não pega ebola de uma pessoa em Dallas sem ter estado lá e ter tido contato direto com os fluidos do paciente”.

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