Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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MONITOR DA IMPRENSA >

Endosso político perde força entre jornais

21/10/2014 na edição 821

O endosso de uma candidatura política é uma marca resistente e comum na imprensa dos EUA em épocas de eleição, uma plataforma na qual as diretorias editoriais repartem sua sabedoria. Mas o tradicional endosso de candidaturas vem, cada vez mais, perdendo espaço. Dúzias de jornais abandonaram a prática nos dois últimos ciclos eleitorais, frequentemente citando dúvidas sobre seu impacto e receios de que, numa época polarizada, a credibilidade da cobertura política seja questionada.

No meio tempo, jornais que continuam a endossar candidaturas vêm tentando novas abordagens, de entrevistas ao vivo com o candidato à cobertura total de eventos. Essas mudanças representam uma pequena experiência sobre como, e se, velhas fórmulas podem funcionar num novo ambiente midiático e político.

Um dos últimos jornais a abandonar os endossos políticos foi o Green Bay Press-Gazette, que recentemente anunciou que iria parar porque queria “ser uma voz independente entre um crescente clamor de vozes adotando posições hiper-partidárias”. David Haynes, editor da página de opinião de outro jornal que abandonou os endossos políticos em 2012, o Milwaukee Journal Sentinel, escreveu, na época, que alguns leitores “confundem nossa cobertura política com nossas recomendações editoriais… Essa perda de credibilidade é um preço alto a pagar para produzir uma imagem de um jornalismo do passado que hoje acreditamos que seja de valor insignificante”.

Na direção oposta, o Los Angeles Times, que abandonou os endossos a candidaturas em 1972 – em parte por causa de um conflito de interesses, devido a seu apoio a Richard Nixon –, voltou a fazê-lo em 2008. O raciocínio do Times é bastante semelhante ao da declaração feita em 2012 pelo Chicago Tribune sobre por que manter o endosso a candidaturas: os editoriais dos jornais assumem posições sobre questões políticas diariamente e seria estranho, ou mesmo irresponsável, que não o fizessem num momento de tamanha importância.

Eleições secundárias e locais

Diversos jornais americanos já anunciaram que irão abandonar a prática do endosso político este ano, mas, ainda assim, a maioria das publicações continua a fazê-lo. Quando o Journal-Sentinel mudou de posição, os editores da página de opinião de outros veículos discordaram, segundo David Haynes. “Acho que muitos editores continuam acreditando, e muito, no modelo tradicional. E os atores políticos de ambos os lados, num estado altamente polarizado, acusam o jornal de ter ficado com medo.” Já em relação aos leitores, a reação foi mista, diz Haynes. “Os leitores mais velhos e mais tradicionais acharam que estávamos abandonando uma coisa importante. Os leitores mais jovens apenas deram de ombros.”

Venham ou não a apoiar políticos, muitos jornais vêm fazendo entrevistas mais transparentes com os candidatos. Vídeos online com entrevistas tornaram-se praticamente rotina. No Press-Gazette, onde a diretoria editorial prometeu fazer uma “ampla cobertura das eleições de interesse local”, apesar de ter suspendido os endossos políticos, os candidatos serão convidados a gravar vídeos de cinco minutos que serão transmitidos online e serão transcritos para o jornal impresso.

Os endossos podem ser úteis para fazer um histórico e orientar uma discussão – foi o endosso em 2013 pelo Star-Ledger, de Newark, segundo Tom Moran, editor da página de opinião do jornal, que ajudou a eleger o governador Chris Christie. Porém, diriam os céticos, é concebível que um jornal conseguisse os mesmos objetivos sem optar por um candidato e evitar arrependimentos se a escolha fosse outra.

No estado de Wisconsin, que foi palco de uma série de eleições muitos disputadas, David Haynes disse que ficava refletindo sobre os endossos editoriais, para saber se eram eficientes – não tanto no que se refere à eleição do candidato, mas em apoiar um discurso bem-informado e racional. Após várias discussões internas e com membros da comunidade, o Journal Sentinel optou por “criar um fórum de questões e ser visto como um corretor honesto de opiniões”. Os editoriais são apenas uma das ferramentas em uma “caixa de ferramentas”, diz Haynes, que também conta com artigos de opinião, cartas, charges, blogs, colunas e redes sociais. “Estou absolutamente disposto a fazer concessões em mercados distintos, pois tudo pode ser diferente”, acrescenta.

Uma questão em aberto é se a abordagem da “caixa de ferramentas” pode suscitar uma discussão sobre eleições secundárias e locais. Os endossos a candidaturas podem ser mais importantes nessas disputas porque os eleitores tendem a ter menos informação; em eleições menos significativas, o endosso de um jornal pode ser a orientação mais rápida e coerente que o eleitor tem.

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