Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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MONITOR DA IMPRENSA > GENOCÍDIO & POLÊMICA

BBC pode perder direito de transmissão em Ruanda

28/10/2014 na edição 822
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Dugald Baird e agências [“Rwanda bans BBC broadcasts over genocide documentary”, The Guardian, 24/10/14], de David Smith [“Rwanda calls for BBC to be banned over controversial documentary”, The Guardian, 23/10/14] e de Edwin Musoni [“Rwanda: Youth Demand Govt Withdraws BBC Licence”, All Africa, 23/10/14]

O governo de Ruanda suspendeu todos os programas de rádio da BBC transmitidos no idioma local Kinyarwanda em retaliação à exibição do documentário Ruanda, a história não revelada, que fala sobre o genocídio de 1994 no país.

O governo do presidente Paul Kagame, membros do Parlamento e sobreviventes do genocídio expressaram indignação perante o documentário, que sugeria que o presidente do país poderia estar envolvido no abatimento do avião de seu antecessor, além de acusar seu partido, a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), de crimes de guerra. O material também sugeria que os mais de 800 mil ruandeses mortos no genocídio de 1994 eram Hutus, e não Tutsis (conforme alega o governo de Ruanda).

A entidade que regulamenta os meios de comunicação no país disse que tomou a decisão após receber queixas do público.

Exigência de pedido de desculpas

A BBC defendeu sua posição declarando que era seu “dever investigar assuntos difíceis e desafiadores” e que o documentário “é uma contribuição valiosa para a compreensão da história trágica do país e da região, bem como do governo de Ruanda ao longo dos últimos vinte anos”. A emissora rejeitou a sugestão de que o programa constitui uma negação do genocídio contra os Tutsis e observou que há repetidas referências ao assassinato em massa de Tutsis por Hutus.

Os legisladores ruandeses agora exigem um pedido de desculpas da BBC.

Protestos

Estudantes universitários realizaram uma marcha de protesto contra o documentário na capital, Kigali. Alice Mukankusi, 25 anos, sobrevivente do genocídio e que esteve presente na manifestação, disse ao New York Times que o documentário era tendencioso e que desrespeitava a memória de parentes que morreram no evento.

Além disso, 38 acadêmicos, escritores, diplomatas e políticos enviaram uma carta de repúdio a Tony Hall, diretor-geral da BBC. Dentre os signatários da carta estava o senador Roméo Dallaire, que liderou a missão de paz da ONU em Ruanda.

Intolerância com a oposição

De acordo com David Mepham, pesquisador da Human Rights Watch, o governo do presidente Paul Kagame não tem tolerância para com a dissidência ou oposição política. “A mídia de Ruanda é dominada pelo ponto de vista do governo, e a maioria dos meios de comunicação segue a linha oficial. Dezenas de jornalistas ruandeses fugiram do país, incapazes de se comunicar livremente e temendo pela própria segurança”, disse Mepham.

Devido à polêmica, é possível que a BBC perca o direito de transmitir no país.

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