Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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MONITOR DA IMPRENSA > ‘THE NEW YORK TIMES’

Como Margaret Sullivan revigorou o cargo de ombudsman

28/10/2014 na edição 822
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Simon van Zuylen-Wood [“She’s not ducking a fight: How Margaret Sullivan transformed the role of the NYT public editor”, Salon, 13/10/14]

Margaret Sullivan, a ombudsman do New York Times, conseguiu mudar completamente a visão dos leitores a respeito da função que ocupa – e que em tantos veículos de comunicação ao redor do mundo é vista como burocrática e maçante. Margaret, que já completou dois anos de um contrato de quatro, foi tema de um artigo do jornalista Simon van Zuylen-Wood para o site Salon.

Zuylen-Wood define o ombudsman como “a pobre alma contratada por uma agência de notícias para representar os leitores e examinar os padrões jornalísticos da referida publicação”. Cabe a quem ocupa o posto torná-lo relevante e útil para os leitores.

Em 2013, o crítico de mídia Jack Shafer escreveu para a Reuters um artigo intitulado “Does Anyone Care About Newspaper Ombudsmen?” (Alguém se importa com os ombudsmen dos jornais?). A interação dos leitores com o artigo – 16 “curtidas” no Facebook, oito comentários – foi uma resposta em si. O objetivo de Shafer era mostrar que a figura do ombudsman era maçante – a aparentemente ele conseguiu.

É aí que entra a figura de Margaret Sullivan: suas colunas têm grande repercussão. Em dois anos, ela não só provou-se capaz de se adaptar à velocidade da internet, como de conseguir manter o ritmo e o apetite sem fim por polêmicas. Para isso, Margaret chega até mesmo a girar a controvérsia em torno de si. Mas Zuylen-Wood diz que é exatamente isto que a torna tão diferente de seus predecessores: Margaret inaugurou a posição em uma nova era da mídia por ser capaz de reimaginar o propósito do cargo.

Franqueza revigorante

Zuylen-Wood lembra que o histórico do cargo de ombudsman no New York Times não é exatamente ilustre. O primeiro a ocupá-lo, Daniel Okrent, nomeado em 2003, era inteligente porém antagônico, e pode ser que seu estilo mordaz tenha motivado o Times a contratar um conjunto de sucessores um tanto incoerentes. Logo depois veio Byron Calame (2005-2007), que inspirou desmontes completos. Clark Hoyt, que realizou o trabalho entre 2007 e 2010, queixou-se ao fim de seu “mandato”, dizendo que sentia-se “menos como um guardião da chama e mais como um fiscal de assuntos internos”. Arthur Brisbane (2010-2012) foi amplamente percebido como um escritor mecânico detalhista e desprovido de humor.

Mas Margaret – que atuou como editora-chefe no jornal Buffalo News, de sua cidade natal, durante 13 anos antes de assumir o cargo no Times – se mostrou muito mais assídua do que aqueles que ocuparam a função antes dela. Na metade de seu mandato, ela já escreveu quase o dobro de artigos em relação a todo o período de vigência de Brisbane, por exemplo. Zuylen-Wood atribui isto à visão que Margaret tem de si: ela não se enxerga como uma colunista quinzenal, mas como uma escritora que se manifesta sempre que algo precisa ser dito.

“Talvez a diferença mais clara entre Margaret e seus antecessores imediatos seja seu estilo contundente: ela é revigorantemente franca sobre o que gosta e não gosta no Times”, diz Zuylen-Wood. “Sullivan não está simplesmente arbitrando o jornalismo do New York Times; ela está arbitrando a forma como reagimos a ele”.

A história do Ombudsman

A palavra “ombudsman” é de origem escandinava, encurtada de justitieombudsman (“Provedor de Justiça”, “Ouvidor”), que no século XIX se referia ao cargo do sujeito nomeado pelos suecos para lidar com as queixas dos cidadãos sobre o governo.

O primeiro ombudsman jornalístico de que se tem notícia foi nomeado em Tóquio, no jornal diário Yomiuri Shimbun, em 1938. A ideia acabou migrando para Kentucky, nos EUA, em 1967, quando o Louisville Courier-Journal e o Louisville Times se tornaram os primeiros jornais americanos a empregar ombudsmen. A partir daí, o conceito se espalhou e, em 1970, o Washington Post difundiu a prática e estilo à imprensa em geral.

No entanto, em meados dos anos 2000, muitos veículos optaram por cortar o cargo – geralmente por questões econômicas. Entre os principais meios de comunicação americanos, apenas ESPN, PBS, NPR e o New York Times mantêm a função de ombudsman ativa.

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