Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MONITOR DA IMPRENSA > JORNALISMO & MARKETING

Empresas investem no contato direto com o público

04/11/2014 na edição 823
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Elizabeth Spayd [“Who cares who’s a journalist?”, Columbia Journalism Review, 31/10/14] e de Michael Meyer [“Should journalism worry about content marketing?”, Columbia Journalism Review, 29/10/14]

Empresas como Coca-Cola, Nestlé e Volkswagen vêm, nos últimos anos, fugindo da publicidade tradicional para fabricar o próprio conteúdo e investir no contato direto com o consumidor nas redes sociais. Os antigos departamentos de marketing estão se transformando em uma espécie de redação, produzindo revistas, redes de blogs, reportagens, narrativas longas e vídeos atraentes.

Um vídeo da Volkswagen filmado em um cinema de Hong Kong(em que eram mostradas aos espectadores da sessão imagens de um acidente de carro para alertar para o perigo de se atender ao celular ao volante) rendeu mais de 29 milhões de visualizações no YouTube entre junho e outubro de 2014, uma prova de que não é preciso trabalhar em uma redação para se compreender a dinâmica dos meios de comunicação social.

Em artigo para a Columbia Journalism Review, a jornalista Elizabeth Spayd analisa os rumos da publicidade, que no mundo moderno tem se misturado, cada vez mais, ao jornalismo. Elizabeth diz que muitas redações corporativas têm sido velozes na hora de fisgar a notícia e se provado capazes de contar histórias magistrais, conseguindo de fato se conectar ao público-alvo – ao passo que as redações tradicionais têm definhado cada vez mais. Surge então a questão: o jornalista tradicional está perdendo seu espaço?

Lobo em pele de cordeiro

A autora conta que recebeu a resposta a esta pergunta durante um painel sobre publicidade nativa e marketing de conteúdo. Um dos convidados era Tony Haile, CEO da Chartbeat, empresa voltada à análise de alcance de conteúdo online. Ela admite que, na posição de jornalista, foi um tanto truculenta com Haile, fazendo várias perguntas que eram essencialmente variações da mesma coisa: “Não é lamentável que as empresas estejam tentando se passar por jornalistas? Isso não as torna um lobo em pele de cordeiro?”

Haile então argumentou que não. E disse que o público não se preocupava tanto assim com tal distinção. Ele explicou que, para um leitor médio, tanto o conteúdo produzido por jornalistas quanto aquele produzido por empresas poderia ser útil. A origem não faz diferença. Daí exemplificou empresas que possuem milhares (ou milhões) de fãs no Facebook “curtindo” suas páginas. Se o leitor se incomodasse, nenhuma empresa teria esse tipo de resposta nas redes sociais.

Em seu artigo, Elizabeth ressaltou, no entanto, que isso não significa que o conteúdo gerado pelas empresas seja cem por cento bom, preciso ou honesto; mas lembrou: o conteúdo produzido nas redações tradicionais também não o é.

Por fim, ela concluiu que tal distinção será cada vez menor, citando o artigo Whos’s the wolf now? (Quem é o lobo agora?), do jornalista Michael Meyer (também publicado na Columbia Journalism Review). A análise de Meyer basicamente sinaliza para o futuro do jornalismo, onde predomina o jornalismo multifunção, no qual muitas vezes não há distinção entre o jornalista, o publicitário e o administrador.

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