Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MONITOR DA IMPRENSA > JORNALISMO & HISTÓRIA

A imprensa ajudou a derrubar o Muro de Berlim

11/11/2014 na edição 824
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Marcus Walker [“Did Journalists’ Questions Topple the Berlin Wall?”, The Wall Street Journal, 8/11/2014] e Melvyn P. Leffler [“The Free Market Did Not Bring Down the Berlin Wall”, Foreign Policy, 7/11/2014]

Uma coletiva de imprensa em 1989 pode ter ajudado a derrubar o Muro de Berlim. A abertura de alguns portões que dividiam a Alemanha Oriental da Alemanha Ocidental, em nove de novembro daquele ano, pegou os então líderes mundiais – do americano George Bush ao soviético Mikhail Gorbachev – de surpresa. Nem os líderes da Alemanha Oriental entenderam o que se passava, já que não haviam ordenado aquilo.

Um mês antes, o clima era de revolta, e por pouco não houve um massacre quando o governo comunista ameaçou confrontar duramente os manifestantes contrários ao regime. Sabia-se que, por meses, alemães orientais estavam fugindo para a Alemanha Ocidental pela Hungria e pela Tchecoslováquia – o que, junto com as manifestações populares cada vez mais volumosas, envergonhava o governo comunista, que sentia seu enfraquecimento. No início de novembro, para acalmar a população, a Alemanha Oriental começou a planejar um afrouxamento das tão odiadas restrições a viagens internacionais.

Um membro do alto escalão do Partido Comunista, no entanto, enrolou-se em uma coletiva de imprensa marcada para anunciar a medida. Günter Schabowski não havia comparecido à reunião que decidiu as novas regulações de viagens quando entrou em uma sala cheia de jornalistas internacionais. Além disso, desacostumado a encarar uma imprensa livre, não soube como se esquivar das perguntas rápidas dos correspondentes.

Abertura acidental

Os líderes do Partido haviam decidido afrouxar as regras de viagem para contornar a crise interna, mas não tinham a intenção de abrir as fronteiras ou de permitir que os alemães orientais pudessem sair sem permissão. Questionado sobre o assunto, mexendo em suas anotações, Schabowski respondeu que, até onde sabia, seria possível para qualquer cidadão emigrar. Foi o suficiente para animar os jornalistas, que começaram a fazer mais e mais perguntas. Sentindo a comoção que sua afirmação havia provocado e claramente desinformado sobre o tema, Schabowski acabou falando que as novas regras passariam a valer imediatamente.

Os jornalistas televisivos reportaram “imediatamente” que as fronteiras haviam sido abertas. Uma multidão seguiu para os portões e os guardas, confusos e temendo um confronto violento, acabaram abrindo alguns deles. Os cidadãos em festa atravessaram os portões e começaram a derrubar partes do Muro.

A história é contada no livro “O colapso: a abertura acidental do Muro de Berlim”, da historiadora Mary Sarotte. Confrontado por um levante pacífico interno, o regime perdeu sua autoridade. “Aquela coletiva de imprensa foi uma rara ocasião em que jornalistas não apenas testemunharam a história, mas ajudaram a fazê-la”, resume o jornalista Marcus Walker em artigo no Wall Street Journal.

Segundo Walker, ainda há controvérsia sobre que correspondente merece o crédito por desestruturar o porta-voz alemão. Com frequência, são citados dois profissionais: Riccardo Ehrman, da agência italiana ANSA, e Peter Brinkmann, do jornal alemão Bild. Imagens da coletiva mostram, no entanto, que foi o polonês Krzysztof Janowski, um refugiado político que trabalhava para a Voz da America, que desconcertou o oficial do Partido Comunista. Já o jornalista que perguntou sobre quando as novas regras passariam a valer – e recebeu como resposta “imediatamente” – não pode ser visto nas imagens. Ralph T. Niemeyer, um jornalista e empresário alemão, alega ter sido ele.

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