Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MONITOR DA IMPRENSA > CREDIBILIDADE JORNALÍSTICA

Agente do FBI fingiu ser repórter da AP para capturar suspeito

11/11/2014 na edição 824
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Ravi Somaiya e Michael S. Schmidt [“F.B.I. Chief Backs Agent Who Posed as Reporter”, The New York Times, 8/11/2014] e da Associated Press [“FBI agent impersonated reporter for bomb investigation, director reveals”, The Guardian, 7/11/2014]

Um agente do FBI se passou por um repórter da Associated Press durante uma operação de 2007 para prender um jovem de 15 anos suspeito de ameaçar bombardear uma escola em Lacey, no estado de Washington. A revelação foi feita pelo diretor da agência de inteligência americana, James Comey.

No fim de outubro, havia sido noticiado que o Bureau forjou uma página do site do jornal Seattle Times para servir de isca na investigação. Um link da página – que trazia uma reportagem falsa sobre as ameaças de bomba – foi enviado para a conta do MySpace do suspeito, e assim agentes do FBI puderam acessar remotamente seu computador.

A notícia provocou irritação tanto no Seattle Times quanto na AP, já que a matéria falsa era creditada à agência de notícias. Os dois veículos afirmaram que a manobra ultrapassava os limites e minava sua credibilidade. Na semana passada [6/11], descobriu-se que a operação foi ainda maior.

Disfarce

Em carta ao New York Times, James Comey afirmou que um agente fingiu ser um funcionário da AP, e foi através dele que o link pôde ser enviado ao suspeito. O falso repórter pediu ao jovem que revisasse um artigo da agência sobre as ameaças e ciberataques dirigidos à escola para garantir que “o suspeito anônimo seria retratado de maneira justa” no texto. O link com o artigo falso continha um software que conseguia verificar endereços de internet. Quando clicou no link, o suspeito permitiu, sem saber, que o FBI acessasse a localização do computador, o que ajudou os agentes a confirmar sua identidade.

“Esta técnica foi apropriada sob as diretrizes do Departamento de Justiça e do FBI naquele momento. Hoje, o uso de tal técnica demandaria, provavelmente, aprovação de um escalão mais alto do que em 2007, mas ainda assim seria legal e, em um caso raro, apropriado”, justificou o diretor. Comey ressaltou ainda que toda operação secreta envolve mentiras e que isso é uma arma crucial no combate ao crime.

Tática “inaceitável”

Segundo o FBI, casos como este, em que agentes se passam por jornalistas, são raros. Novas diretrizes criadas pelo Bureau em 2009 tornaram mais difícil a tática, já que para usá-la os agentes precisariam de autorização de um chefe local, que, por sua vez, é encorajado (mas não obrigado) a consultar um oficial sênior em Washington antes de decidir o que fazer.

Para a editora-executiva da AP, Kathleen Carroll, as ações do FBI foram “inaceitáveis”. “O agente sabia que a AP era uma organização confiável, ou então não teria dito que era um repórter da agência”, afirmou Kathleen. “E, ao usar esta credibilidade, ele a manchou”. A agência enviou uma carta ao Departamento de Justiça pedindo que o órgão crie políticas para garantir que este tipo de estratégia não seja mais usado com organizações jornalísticas.

O professor de ética jornalística Aly Colón concorda com Kathleen. “Isso certamente prejudica a posição de todos os jornalistas que estão tentando fazer seu trabalho como uma fonte independente de notícias”.

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