Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > O FUTURO DO JORNALISMO

Redes sociais mudaram produção e distribuição de notícias

11/11/2014 na edição 824
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Stuart Dredge [“Social media, journalism and wars: ‘Authenticity has replaced authority’”, The Guardian, 5/11/2014] e de Abigail Edge [“How outlets are using Twitter, YouTube, Google+ in reporting”, Journalism.co.uk, 5/11/2014]

As redes sociais mudaram o jornalismo. A rapidez como as notícias se propagam em sites como Twitter e Facebook transformou a maneira como os furos jornalísticos são divulgados pelos jornais e canais de TV, e a possibilidade de qualquer pessoa com um dispositivo móvel publicar conteúdo noticioso alterou a apuração tradicional e a interação com fontes. Os grandes meios de comunicação tiveram que se adaptar para não ficar para trás.

No início de novembro, jornalistas de veículos tão distintos como a Vice, a revista Time e o Storyful estiveram na conferência Web Summit, em Dublin, para discutir sobre como utilizam as redes sociais nos seus trabalhos com o jornalismo.

De acordo com Kevin Sutcliffe, diretor de programação de notícias do Vice News na Europa, o Twitter se tornou uma fonte de notícias. Para Matt McAllester, editor europeu da Time, a rede social também se transformou em uma ferramenta fundamental para os correspondentes de zonas de conflito, como Ucrânia e Libéria, que a utilizam não apenas para reportar, mas também para se comunicar com outros correspondentes. De acordo com McAllester, o correspondente da Time em Moscou, Simon Shuster, utiliza o Twitter para descobrir pautas ao mesmo tempo em que apura pela rede social como está a situação local.

Usuário se tornou produtor de conteúdo noticioso

Hoje, com a possibilidade de um cidadão comum com um celular com acesso à internet e uma câmera se tornar um produtor de conteúdo noticioso, os sites de notícias ganharam novas fontes. Porém, é necessário que os meios de comunicação façam uma filtragem e apuração da veracidade do conteúdo antes de reportá-lo.

É aí que entra o Storyful. O site irlandês se especializou em analisar o conteúdo das redes sociais para descobrir a veracidade das fontes. “Atualmente, todo mundo é um produtor de conteúdo, e nós trabalhamos como administradores dessa abundância de conteúdo disponível”, explica o executivo-chefe do site, Mark Little. “A chave para nós é encontrar o primeiro conteúdo postado que irá definir a história: o vídeo, o tuíte. Nós temos 40 jornalistas procurando em tempo real pela fonte original”.

De acordo com Little, outra mudança que as redes sociais trouxeram para o jornalismo foi a forma como o furo jornalístico é reportado. Para o executivo-chefe do Storyful, não é mais possível um veículo de comunicação tradicional afirmar que é o primeiro a dar o furo de reportagem. “A ideia de que você , com o ‘Breaking News’ na tela, será o primeiro a dar o furo é uma besteira, porque alguém em algum lugar já testemunhou esse acontecimento”.

Um consenso entre os participantes da conferência é que o crescimento das redes sociais pode ter obrigado o jornalismo a se adaptar aos novos tempos, porém o valores tradicionais da profissão ainda são vitais. “Eu não tenho certeza se a missão do jornalismo mudou tanto assim: nós ainda enviamos jornalistas para cobrir histórias e furos de reportagem”, resume Matt McAllester.

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