Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MONITOR DA IMPRENSA > CASO ‘NEWS OF THE WORLD’

Andy Coulson deixa prisão antes do fim da pena

25/11/2014 na edição 826
Tradução: Jô Amado e Leticia Nunes, edição de Leticia Nunes. Informações de Mark Sweney [“Andy Coulson leaves prison after serving five months of 18-month term”, The Guardian, 21/11/14] e Denis MacShane [“Welcome back, Andy Coulson. Let me tell you about life afterprison”, The Guardian, 21/11/14]

O jornalista Andy Coulson, ex-editor-chefe do tabloide News of the World, foi libertado em 21/11 após cumprir menos de cinco meses da pena de um ano e meio a que foi condenado por conspiração no escândalo dos grampos telefônicos. A condição para sua soltura antecipada foi que passasse a usar uma tornozeleira eletrônica até que se cumpra metade da pena. Coulson, de 46 anos, não deu declarações aos repórteres quando saiu da prisão em que se encontrava, no condado de Suffolk. Além de dirigir o extinto tabloide de 2003 a 2007, ele também foi diretor de comunicação do Partido Conservador e do primeiro-ministro britânico, David Cameron, até o início de 2011, quando renunciou ao cargo.

Em um artigo em tom divertido publicado pelo Guardian, o ex-parlamentar britânico Denis MacShane, que cumpriu pena por fraude e falsidade ideológica, cumprimentou Coulson pela libertação e lembrou que agora ele faz parte da seleta lista de ex-presos britânicos famosos, entre eles o roqueiro Mick Jagger, o filósofo Bertrand Russell, o político e escritor Jeffrey Archer, o comediante Stephen Fry e o empresário e filantropo Gerald Ronson. “Achei que na cadeia havia um ambiente mais autêntico e consciente de si próprio do que no salão de chá da Câmara dos Comuns e aposto que você conheceu presos e carcereiros mais agradáveis do que seus antigos amigos jornalistas, principalmente os que escreveram editoriais moralizantes sobre você para em seguida voltarem à fraude de escrever sobre reposição de despesas”, ironizou MacShane.

Tornozeleira

O Ministério da Justiça não quis comentar o caso de Coulson, mas declarou que alguns presos podem ser soltos de acordo com as normas de detenção domiciliar e horário de saída e entrada em casa [Home Detention Curfew – HDC]. Segundo um porta-voz do Ministério, “A proteção pública é nossa principal prioridade. Somente os presos que passarem por uma avaliação de riscos rigorosa podem ser soltos pelas normas do HDC. Quem infringir as normas ficará sujeito a uma permissão condicionada e, no caso de as violar, poderá ser conduzido de volta à cadeia.”

“E a tornozeleira?”, pergunta MacShane. “Gostei da cerimônia de ajustar aquele simpático bracelete plástico ao meu tornozelo e achar um lugar, em casa, para o monitor. Eu tinha que usar a tornozeleira de 7 da noite às 7 da manhã e, como Cinderela, estava sempre com medo de me atrasar. É claro que você e eu, assim como aqueles condenados por delitos não violentos, podíamos ter usado a tornozeleira desde o primeiro dia, mas os nossos juízes, os nossos políticos, o Serviço de Promotoria da Coroa e, hum…, os editores de nossos tabloides têm uma crença quase religiosa de que é bom para a Grã-Bretanha jogar na cadeia o maior número possível de pessoas”.

Escândalo provocou fim do jornal

Por sete anos, Coulson negou ter conhecimento da prática de grampear telefones para obter furos jornalísticos. Ele admitiu apenas em seu julgamento que escutou, em 2004, a gravação de uma mensagem telefônica de um então ministro britânico. Coulson deixou o News of the World em 2007, quando o editor que cobria a família real admitiu que havia, com a ajuda de um detetive particular, grampeado telefones. Diante do escândalo, o editor-chefe afirmou que, apesar de não saber da prática, sentia-se responsável por não ter visto e interrompido a atividade ilegal. Ele assumiu a chefia da comunicação do Partido Conservador naquele mesmo ano e, posteriormente, do governo de Cameron, quando este tornou-se primeiro-ministro, em 2010.

Em 2011, um novo escândalo envolvendo a prática dos grampos ilegais acabou provocando o fechamento do tabloide. Na ocasião, revelou-se que, nove anos antes, o News of the World teria obtido acesso à caixa de mensagens de uma adolescente desaparecida – e que, descobriu-se meses mais tarde, havia sido assassinada.

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