Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE

Executivos do Uber se envolvem em polêmicas com jornalistas

25/11/2014 na edição 826

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Alex Hern [“Uber investigates top executive after journalist's privacy was breached”, The Guardian, 19/11/14], de Johana Bhuiyan e Charlie Warzel [“’God View’: Uber Investigates Its Top New York Executive For Privacy Violations”, BuzzFeed, 19/11/14], de Leslie Kaufman [“Reaction to Uber Tactics Highlights Tech Journalists’ Fine Line Between Critic and Booster”, The New York Times, 20/11/14] e de Michael Wolff [“

A Uber, empresa criadora do aplicativo homônimo voltado a pessoas que desejam conceder e receber caronas pagas, declarou que está investigando Josh Mohrer, seu principal executivo na sede de Nova York. Mohrer foi acusado de rastrear os passos da jornalista Johana Bhuiyan, repórter do site BuzzFeed, sem a permissão dela, violando a política de privacidade da empresa. Em função disso, o Uber também publicou sua política de privacidade pela primeira vez, embora tenha declarado que suas cláusulas sempre estiveram em vigor internamente.

O debate sobre a abordagem do Uber em relação à privacidade de seus usuários explodiu após Emil Michael, outro executivo da empresa, ter sugerido em off durante um jantar com jornalistas que contrataria uma equipe investigativa para rastrear repórteres que fizessem matérias desfavoráveis sobre sua empresa. Embora a equipe do Uber tenha se desculpado pelas supostas declarações de Michael, a start-up encontra-se num período delicado, pois estas não são as duas únicas polêmicas em que se envolveu.

A questão da política de privacidade trouxe consigo um ponto divergente. O documento válido para os Estados Unidos é diferente e mais complexo do que aquele divulgado mundialmente, e determina que os usuários que excluem suas contas não podem retirar seus dados do serviço. “Mesmo depois de sua conta ser encerrada, vamos manter suas informações pessoais e informações de usuário (incluindo geolocalização, histórico de viagens, informações de cartão de crédito e histórico de transações), conforme necessário, a fim de cumprir os regulamentos, evitar fraudes, resolver disputas, e por outras razões comerciais”, diz o documento.

Além disso, o Uber já esteve envolvido em outras questões controversas. Em 2012, um blog denunciou que algumas pessoas estavam utilizando o aplicativo para marcar encontros sexuais casuais.

Quando o aplicativo chegou ao Brasil, em 2014, também foi alvo de reclamações de taxistas no Rio de Janeiro e de um pedido oficial de suspensão por parte da Prefeitura de São Paulo, que o considerou um disseminador de transporte clandestino. O Uber também foi banido na Alemanha por concorrer diretamente com serviços legais de transporte.

O imbróglio Sarah Lacy

Outro caso polêmico envolveu a jornalista de tecnologia Sarah Lacy, que acusou o Uber de investigá-la, persegui-la e ameaçá-la depois que ela realizou uma cobertura negativa sobre a empresa. Sarah, que é fundadora e editora-chefe do site PandoDaily, chegou a atacar verbalmente outros profissionais de jornalismo em seu podcast, alegando que alguns colegas estavam sendo condescendentes demais com a equipe do Uber.

Em um artigo para o USA Today, o jornalista Michael Wolff defendeu-se após ser criticado publicamente por Sarah Lacy – e revelou questões obscuras envolvendo o Uber e o BuzzFeed.

Ele afirmou que o Uber organizou o referido jantar com jornalistas, em Nova York, para reforçar suas relações com profissionais de imprensa considerados “formadores de opinião”, e que o evento basicamente se passaria em off, ou seja, sem declarações oficiais. Segundo Wolff, o editor-chefe do BuzzFeed, Ben Smith, compareceu como convidado dele – o jornalista admitiu que errou ao não reiterar a Smith que tudo que ocorreria ali permaneceria em off (Wolff disse presumir que Smith soubesse disso, já que tais eventos são relativamente comuns no meio).

Wolff conta que estavam presentes o CEO do Uber, Travis Kalanick, além de Emil Michael e outros 25 convidados, dentre eles o ator Edward Norton, um amigo de Kalanick e sua esposa (a produtora de cinema Shauna Robertson); também estavam presentes Mort Zuckerman, dono do Daily News de Nova York; Bob Pittman, CEO do Clear Channel; Arianna Huffington, do Huffington Post; e Chris Hughes, proprietário da New Republic.

Durante uma conversa discreta sobre críticas a respeito do Uber na imprensa, Michael e Kalanick fizeram algumas citações particulares entre si; uma delas foi que “se o Uber quisesse, poderia investigar jornalistas, incluindo suas vidas pessoais”. Wolff confirmou que houve declarações indignadas dirigidas a Sarah Lacy, mas nada oficial ou direcionado aos convidados. Tudo foi uma conversa discreta entre os dois executivos.

Na segunda-feira seguinte ao jantar (que ocorreu numa sexta), Wolff diz ter recebido um telefonema de Emil Michael, questionando por que o BuzzFeed estava enviando perguntas agressivas ao Uber e se Ben Smith não havia sido avisado de que o jantar tinha sido um evento em off. Wolff então telefonou para Smith alegando que seria injusto da parte do BuzzFeed divulgar aquelas declarações, visto que foram feitas discretamente à mesa e sem caráter oficial.

Por fim, Wolff criticou a postura do editor do BuzzFeed e disse que a imprensa que cobre internet e tecnologia reside em uma base muito diferente daquela da imprensa tradicional, mas que é cada vez mais poderosa, visto que a imprensa tradicional tem feito de tudo para acompanhá-la. E ironizou o fato de o BuzzFeed ter como investidores os mesmos investidores do aplicativo Lyft, o principal concorrente do Uber. Os quais, por sua vez, também são investidores do PandoDaily, site de Sarah Lacy.

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