Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > FUTURO DO JORNALISMO

Mobilidade e robôs são tendências para 2015

25/11/2014 na edição 826
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Bertrand Pecquerie [“2015 News Trends: Think Mobile, Act with Bots”, Global Editors Network, 20/11/14]

Em muitas companhias de mídia, o tráfego em plataformas móveis como tablets e smartphones cresceu de 20% para 50% nos últimos três anos. “Nunca uma transição na distribuição das notícias ocorreu tão rápido ou foi tão global, afetando todos os países e todas as faixas etárias”, afirma Bertrand Pecquerie, CEO da organização Global Editors Network. “A produção de notícias também foi muito afetada: como os jornalistas podem fornecer informação brilhante e relevante para as telas pequenas?”, questiona ele.

A tendência da indústria jornalística para 2015 é o jornalismo móvel, sentencia Pecquerie – o tema será discutido na próxima cúpula da Global Editors Network, em junho de 2015. Há outra revolução em curso; a transição para o jornalismo móvel é apenas a ponta do iceberg. Mais abaixo, e menos visível, está a automatização do processo de produção e distribuição de notícias. Basicamente, o jornalismo robô.

“O conteúdo móvel e as redes sociais precisam de curadoria com alertas em tempo real para notícias de última hora. O imediatismo é o padrão e sua organização precisa ser mais rápida do que o resto. Senão, os usuários vão se mudar rapidamente para outro lugar”, diz Pecquerie. “Há alguns anos, seu conteúdo era apreciado por sua precisão ou pela relevância para seu público. Hoje, a velocidade é grande parte do que importa para a audiência”.

Este processo é um desafio para empresas jornalísticas tradicionais, que por décadas basearam sua relação com os leitores em profissionalismo e qualidade de conteúdo. Hoje, estas empresas foram obrigadas a jogar um jogo complicado, em que podem perder para um blogueiro que publicou um furo minutos antes que elas o fizessem.

Adaptação

Por outro lado, a qualidade – ou melhor, a credibilidade – ainda é importante. Apesar da pressa imposta pela internet, o jornalismo não pode funcionar com base em boatos ou suposições. Para Pecquerie, o dilema das organizações em 2015 será descobrir como verificar cada furo ou notícia sem perder tempo. Segundo ele, o único modo de conseguir aliar rapidez e precisão será confiando em um sistema de verificação automatizado. Os jornalistas de carne e osso serão ajudados por algoritmos e tecnologias de checagem cobrindo tanto a internet como um todo quanto, mais especificamente, as redes sociais. “Aprender a trabalhar com robôs é a primeira consequência da revolução do jornalismo móvel”, diz ele.

Pecquerie afirma que, hoje, as redações mais bem sucedidas são aquelas que já se baseiam no jornalismo de dados: os editores sabem quais são as matérias mais lidas, podem antecipar as tendências através das redes sociais e segmentar conteúdo para diferentes públicos.

Há, no entanto, um desafio: o jornalismo personalizado só funciona se for bem-vindo e desejado pela audiência, e não imposto ou forçado. Ele cita os exageros da publicidade online com o uso de cookies e anúncios que “perseguem” as pessoas em cada site que entram. “Comprei sapatos para a minha filha três semanas atrás e hoje li um artigo sobre o Iraque que estava rodeado de anúncios de sapatos”, exemplifica Pecquerie. “Os cidadãos podem rapidamente se irritar por estar sendo seguidos – não apenas por anunciantes, mas também pela sua organização de notícias favorita”. Para ele, é importante que as empresas jornalísticas tenham consciência dos limites e não traiam a confiança de seu público.

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