Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > EGITO

Jornalistas da al-Jazeera terão direito a novo julgamento

06/01/2015 na edição 832
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações da BBC [“Retrial in Egypt al-Jazeera Greste, Fahmy and Mohamed case”, 1/1/15], de Rod McGuirk (com colaboração de Maggie Michael e Abdullah Rebhy) [“Egypt Court Orders Retrial In Al Jazeera Case”, The Huffington Post, 1/1/15] e de Roy Greenslade [“Why a retrial could be the best outcome for the Al-Jazeera three”, The Guardian, 2/1/15]

O principal tribunal do Egito ordenou um novo julgamento aos três jornalistas da al-Jazeera presos desde dezembro de 2013 por supostamente conspirar contra o Estado. A decisão foi tomada após pedido de recurso pela defesa dos jornalistas – os promotores reconheceram problemas no veredicto.

Peter Greste, Mohamed Fahmy e Baher Mohamed foram oficialmente condenados, após um julgamento breve e controverso, em junho de 2014, e pegaram penas que variam de sete a dez anos. Eles negam todas as acusações, as quais incluem colaborar com a Irmandade Muçulmana, facção proibida no país após a derrubada do presidente Mohammed Morsi pelos militares em 2013.

O novo julgamento deve ocorrer em fevereiro de 2015; até lá, o trio permanecerá sob custódia.

Aguardando deportação

Em artigo para o Guardian, o colunista Ron Greenslade condenou mais uma vez a prisão dos jornalistas e reforçou que o fato de os três trabalharem para uma emissora do Catar – país sob constante tensão política com o Egito – certamente contribuiu para a detenção, pois serviu como “conforto aos subversivos islâmicos”.

Em dezembro de 2014, a al-Jazeera decidiu suspender seu canal egípcio, Mubasher Misr, cuja cobertura havia se tornado motivo de tensão entre os dois países. Analistas especularam que o fim do canal poderia sinalizar uma possível abertura do Egito na libertação de pelo menos dois dos jornalistas detidos. Como Fahmy e Greste são estrangeiros (egípcio-canadense e australiano, respectivamente), ambos podem ser beneficiados por uma lei recentemente aprovada, a qual permite que cidadãos estrangeiros sejam deportados em vez de presos. Já a situação de Baher Mohammed é incerta, pois este detém apenas cidadania egípcia.

Julie Bishop, a ministra das Relações Exteriores da Austrália, declarou à rede de televisão australiana Nine que seu governo esteve otimista sobre a deportação de Greste, mas que, no momento, suas convicções sobre o caso estão abaladas. Ela agora espera conseguir conversar com Sameh Shoukry, o ministro das Relações Exteriores egípcio.

Advogados defensores dos direitos humanos sempre criticaram a prisão dos jornalistas, alegando que a condenação possui natureza altamente política e que o julgamento foi uma farsa, desprovido de qualquer prova concreta.

As autoridades egípcias não fizeram nenhum comentário imediato sobre a decisão de novo julgamento dos jornalistas.

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