Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

MONITOR DA IMPRENSA > CARTUNS DO PROFETA

Editor do ‘Charlie Hebdo’ critica veículos que não reproduziram capa

20/01/2015 na edição 834
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Chris Ariens [“New Charlie Hebdo Editor Critical of News Organizations That Won’t Show New Cover”, TV Newser, 18/1/2015], Brian Flood [“So, Charlie Hebdo Put Mohammed On the Cover Again, but Will Networks Show It?”, TV Newser, 13/1/2015] e Barbie Latza Nadeau [“Who Did—and Didn’t—Publish the Charlie Hebdo Cover Image”, The Daily Beast, 14/1/2015]

O novo editor-chefe do Charlie Hebdo, Gerard Biard, criticou as organizações de notícias “em países democráticos” que optaram por não mostrar a capa da edição do semanário satírico francês publicada após o ataque à redação em Paris, que deixou 12 mortos. A chamada “edição dos sobreviventes” trazia na capa uma caricatura do Profeta Maomé segurando um cartaz com os dizeres “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie).

O atentado, executado por dois irmãos extremistas que diziam estar “vingando o profeta”, deixou entre as vítimas o editor-chefe da publicação, Stéphane Charbonnier (conhecido como Charb), e o veterano cartunista Georges Wolinski. Apesar da representação de Maomé ser considerada algo ofensivo no Islã, o Charlie Hebdo já havia publicado diversas caricaturas do profeta. Depois que a redação foi alvo de uma bomba em 2011 e que o ministro do Exterior francês ordenou o fechamento de embaixadas e escolas francesas em cerca de 20 países pelo temor de uma reação violenta aos desenhos do semanário, no ano seguinte, Charb respondeu que vivia sob as leis da França, e Maomé não era sagrado para ele.

Símbolo da liberdade

Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, Biard disse não compreender a decisão de veículos em países democráticos de não mostrar a capa do Charlie Hebdo. “Nós não podemos culpar jornais que já passam por muitas dificuldades para ser publicados e distribuídos em regimes totalitários por não publicar um cartum que lhes custaria, na melhor das hipóteses, a cadeia, e, na pior, a morte. Por outro lado, sou bastante crítico dos jornais que são publicados em países democráticos”, disse ele, afirmando que o cartum na capa do semanário é um símbolo. “Ele simboliza a liberdade de expressão, a liberdade de religião, a democracia, o secularismo. É um símbolo que esses jornais se recusam a publicar, é isso que eles precisam entender. Quando eles se recusam a publicar este cartum, quando eles o borram, eles borram a democracia, o secularismo, a liberdade de religião, e eles insultam a cidadania”.

Nos EUA, os canais CNN, NBC e ABC optaram por não exibir a capa do Charlie Hebdo. O New York Times também se recusou a fazê-lo. A Associated Press manteve sua posição de não distribuir imagens que tenham por objetivo “gozar ou provocar pessoas com base em sua religião, raça ou orientação sexual”. O USA Today, por outro lado, afirmou que, tradicionalmente, não publica imagens de Maomé para não ofender leitores muçulmanos, mas abriria uma exceção por considerar o valor jornalístico da capa do semanário.

No Reino Unido, o Daily Telegraph optou por não publicar a capa, ao contrário dos jornais The Guardian e Times of London. A BBC exibiu o cartum de Maomé em uma matéria online; o texto trazia a justificativa do valor jornalístico daquela imagem.

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