Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > CASO ALBERTO NISMAN

Jornalista que deu furo sobre morte de promotor deixa a Argentina

27/01/2015 na edição 835
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações da Reuters [“Journalist who broke news of prosecutor's death flees Argentina”, 25/1/15] e de Roy Greenslade [“Argentine journalist explains why he fled the country”, The Guardian, 26/1/15]

O primeiro jornalista a reportar sobre a morte do promotor federal Alberto Nisman deixou a Argentina em 24/1. “Estou indo embora porque minha vida está em perigo. Meus telefones foram grampeados”, afirmou Damian Pachter, que trabalha para o Buenos Aires Herald e para o Haaretz, de Israel. “Voltarei a este país quando minhas fontes me disserem que as condições mudaram. Não acredito que acontecerá neste governo”, disse ele ao site Infobae.

Nisman foi encontrado morto em seu apartamento no dia 18/1, com um tiro na cabeça. Ele investigava um ataque à bomba ocorrido em 1994 em um centro judaico de Buenos Aires, que deixou 85 mortos, e falaria em uma comissão parlamentar sobre as alegações de que a presidente argentina, Cristina Kirchner, e o ministro do Interior, Hector Timerman, teriam conspirado em 2012 para encobrir oficiais iranianos envolvidos no atentado em troca de acordos comerciais.

Perseguição

Pachter obteve o furo sobre a morte do procurador através de uma fonte confiável – de quem ele diz que “nunca irá revelar” a identidade. Nos dias que se seguiram, coisas estranhas aconteceram, diz o jornalista. Ele afirma que uma matéria da agência de notícias estatal argentina trazia uma citação sobre um suposto tuíte de sua autoria que ele nunca escreveu. “Eu concluí que aquele tuíte era um tipo de mensagem em código”.

Aconselhado por um amigo, Pachter deixou a cidade de ônibus mas, horas depois, desconfiou estar sendo vigiado. O amigo foi a seu encontro e confirmou que havia “um cara da inteligência” atrás dele. O jornalista seguiu, então, ao aeroporto de Buenos Aires, de onde embarcou para Montevideo, Madri e, finalmente, Tel Aviv. Ele escreveu sobre “as 48 horas mais loucas” de sua vida no Haaretz [conteúdo apenas para assinantes]. “A Argentina se tornou um lugar sombrio guiado por um sistema político corrupto. Eu ainda não compreendi tudo o que aconteceu comigo nas últimas 48 horas”, afirmou.

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