Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Da imprensa à ex-miss, presidente turco não tolera críticas

03/03/2015 na edição 840

Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Isobel Finkel [“Miss Turkey on Trial for Allegedly Insulting President Erdogan”, Bloomberg, 24/2/15] e de Adam Taylor [“How a single Instagram post could end up sending a former Miss Turkey to jail”, The Washington Post, 25/2/15]

A ex-modelo Merve Buyuksarac, Miss Turquia em 2006, é mais uma vítima da perseguição imposta pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, nas redes sociais. Merve é acusada de ofensa ao presidente por postar um poema em sua conta do Instagram. O promotor do caso pediu uma pena de mais de quatro anos de prisão.

O código penal turco caracteriza como crime insulto a oficiais públicos. Uma outra lei também criminaliza insultos ao presidente. Na época da postagem, Erdogan era primeiro-ministro do país. “Eu não ofendi o presidente, na época ele era primeiro-ministro. Eu apenas compartilhei um poema, que foi compartilhado por 960.000 pessoas na Turquia, e que não é uma ofensa”, disse a ex-modelo.

O poema compartilhado por Merve no Instagram se chama “O Poema do Mestre” e foi retirado da revista satírica Uykusuz. Nele, uma pessoa se gaba de ter conseguido roubar por 11 anos e não ter sido pega. Os apoiadores de Erdogan têm o hábito de chamá-lo de “mestre”.

Um caso de insulto a cada três dias

Desde que Erdogan foi eleito presidente, em agosto de 2014, 67 pessoas já foram acusadas de insultá-lo, em média um caso a cada três dias. Seus críticos o acusam de querer censurar a liberdade de expressão nas redes sociais. No ano passado, o acesso ao Twitter foi bloqueado no país antes das eleições presidenciais, depois que uma série de documentos sobre um caso de corrupção governamental vazou através da rede social. A Suprema Corte da Turquia reverteu o veto após a conclusão das eleições.

De acordo com o ranking de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras, nos últimos 11 anos, período em que Erdogan atuou como primeiro-ministro, a Turquia caiu da 99 ª posição para a 154ª. Atualmente, fica atrás de países como Iraque, Rússia e a República Democrática do Congo.

Comportamento de risco

De acordo com o jornalista Adam Taylor em artigo no Washington Post, “insultar o líder turco tornou-se arriscado desde que Erdogan saltou do gabinete do primeiro-ministro ao gabinete da presidência”. Para se ter uma ideia, há alguns meses, um estudante de 16 anos foi preso por um discurso em que descrevia o presidente como “o proprietário ladrão de um palácio ilegal”.

“Antes, os líderes turcos iam atrás apenas de jornalistas pelo que eles escreviam ou reportavam. Agora, com as redes sociais, o presidente Erdogan e outros líderes turcos passaram a atacar toda a sociedade”, declarou Susan Cork, diretora da organização Freedom House.

Diversos jornalistas foram presos nos últimos meses, lembra Taylor. “Agora, ex-rainhas de concursos de beleza com grande número de seguidores na mídia social estão, aparentemente, correndo risco”. Enquanto isso, diz o jornalista, Erdogan continua a falar publicamente sobre o aumento “das liberdades” em seu país.

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