Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > AL-JAZEERA NO EGITO

Jornalista convive com incerteza da condenação

03/03/2015 na edição 840
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Erin Cunningham [“After a year in jail, a freed Egyptian journalist faces an uncertain future”, The Washington Post, 28/2/15]

O jornalista egípcio Baher Mohamed, da Al-Jazeera, aproveita seus momentos de liberdade sem esquecer da ameaça real de voltar à prisão. Mohamed passou um ano encarcerado junto com outros dois funcionários da rede de TV do Catar, sob acusação de disseminar notícias falsas e colaborar com uma facção banida do Egito pelo governo que derrubou o presidente Mohamed Morsi, em 2013.

Desde que um juiz da corte de apelações ordenou que um novo julgamento fosse realizado, em janeiro, Mohamed ganhou liberdade condicional, o que significa que toda noite ele tem que se apresentar numa delegacia para provar que não fugiu do país. O processo, que às vezes demora horas, já que ele tem que esperar o chefe da delegacia aparecer e assinar o documento comprovando sua presença, foi um dos requisitos impostos para sua libertação e é uma lembrança diária de que ele ainda não está livre.

Diferente dos colegas detidos com ele em dezembro de 2013, a única maneira de Mohamed não voltar para a prisão é um possível veredicto final positivo. A partir de um decreto que permite que o presidente Abdel Fattah al-Sisi repatrie estrangeiros presos no país, o correspondente australiano Peter Greste foi deportado para a Austrália no início de fevereiro; o egípcio Mohamed Fahmy, por ter cidadania canadense, tenta agilizar o processo para ser deportado para o Canadá.

Desde que Morsi, ligado à facção Irmandade Muçulmana, foi deposto em 2013, a violência e a repressão contra a imprensa aumentaram no país. Como a Al-Jazeera apoiava a Irmandade Muçulmana, muitos viram a prisão dos três jornalistas como uma represália do governo ao canal de TV do Catar.

“Eu assumi os riscos”

“Eu sabia que o regime não gostava da Al-Jazeera, e também que eles estavam ameaçando todos os jornalistas, mas eu estava preparado para realizar o meu trabalho, cobrir os protesto e estar nas ruas”, declarou Mohamed. “Sem imprensa, não existe democracia. Então eu assumi os riscos.”

Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, nove jornalistas permanecem em prisões no Egito. Para a organização Repórteres Sem Fronteiras, os profissionais da imprensa estão entre as maiores vítimas do regime autoritário da polícia egípcia. Baher Mohamed diz que, pelo seu caso estar em evidência, ele sente a necessidade de levantar a questão da liberdade de expressão. “Eu sinto que preciso falar mais sobre a liberdade de imprensa. Essa é a única pressão que eu sinto, de que eu preciso fazer mais”.

O risco de voltar para a cadeia afeta a rotina e o estado de espírito do jornalista. “Eu estou tentando aproveitar tudo. Mas quando eu olho para o céu, para as pessoas nas ruas, eu sinto que algo ainda está errado. Existe esse medo, mas isso irá desaparecer com o tempo”.

O tribunal de apelações marcou o novo julgamento do caso para o dia 8/3. Caso volte a ser condenado, Baher Mohamed diz que não deixará de lutar pela liberdade de imprensa. “Talvez exista esse papel para eu lutar pela liberdade de imprensa mesmo estando na prisão”.

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