Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > CONTEÚDO VIRAL

Por que o ‘irrelevante’ das redes sociais se torna notícia?

03/03/2015 na edição 840
Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Alexis Sobel Fitts [“Why llamas took over the news cycle”, Columbia Journalism Review, 27/2/15]

Por que a imprensa dá tanta atenção a assuntos aparentemente banais? Alexis Sobel Fitts, colunista da Columbia Journalism Review, tentou encontrar tal resposta fazendo uma análise de um acontecimento peculiar que mobilizou até mesmo a Associated Press: a fuga de duas lhamas no estado americano do Arizona.

Aliás, a AP não foi a única empresa de notícias a se mobilizar para cobrir a história das lhamas: a ABC, a NBC e a CBS citaram o caso em seus noticiários noturnos. O Los Angeles Times produziu uma narrativa para descrever como a perseguição evoluiu de um telefonema para o serviço de emergência até o noticiário nacional. E o Washington Post destacou nada menos do que seis repórteres para acompanhar o caso.

Seria plausível ver uma história como esta em sites como Mashable ou BuzzFeed (este último fundado exatamente para investigar como determinados assuntos viralizam na rede), mas o que dizer sobre as grandes empresas de comunicação? Acontece que histórias aparentemente banais acabam encontrando um grande público nas mídias sociais, o que por definição as tornam dignas de atenção. Se antes apenas a imprensa pautava a imprensa, agora as redes sociais também pautam a imprensa.

Social Media Week

Durante um painel da Social Media Week, Lou Ferrara, vice-presidente da AP, explicou esse tipo de fenômeno, justificando que, se o grande público comenta um caso massivamente nas mídias sociais, a imprensa se vê obrigada a entrar na conversa, ou deixará de fazer parte da notícia. Sendo assim, é esperado que editores e repórteres monitorem as mídias sociais durante suas programações diárias. “O julgamento do que é notícia deve levar em conta a opinião do público, caso contrário corre-se o risco de ficar fora de sintonia”, disse ele.

David Reiter, gerente editorial de notícias locais na ABC News, também discursou em painel da Social Media Week e concordou que sua equipe está mais democrática no que diz respeito à seleção do que é notícia.

Lisa George, professora adjunta de economia da Hunter College, em Nova York, crê que esta mudança de poderes contribui para um ambiente jornalístico muito mais rico, pois funciona como um indicativo para os assuntos que interessam ao público.

Ferrara alertou, no entanto, que é preciso haver discernimento: nem toda conversa de mídia social define as notícias, mas apenas influencia o ângulo de abordagem e a cobertura.

Além disso, muitas notícias criam um burburinho apenas porque entram num looping: saem das mídias sociais, vão à imprensa e voltam a ser replicadas nas mídias sociais (no caso, a cobertura formal funciona como um “aval” para o assunto).

A eterna busca pela audiência

Obviamente, a decisão dos editores esbarra também em questões econômicas. Abordar um assunto em voga aumenta vendas de exemplares e cliques em sites, portanto seria até estúpido ignorar um tema muito comentado (ainda que este pareça absolutamente banal). O famoso caso do vestido que muda de cor, que movimentou as redes sociais no mundo todo, foi capaz de trazer um recorde de cliques ao BuzzFeed; nada menos do que 25 milhões de pessoas acessaram o tópico sobre o famigerado vestido, e isso em uma única tarde. É um número expressivo, que faz brilhar os olhos de qualquer editor, principalmente num período em que o jornalismo luta para não se afogar num mar de cliques.

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