Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

MONITOR DA IMPRENSA > CASO SNOWDEN

Mídia serve informações requentadas como novidades

10/03/2015 na edição 841
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Glenn Greenwald [“The ‘Snowden is ready to come home!’ Story: A case study in typical media deceit”, The Intercept, 4/3/15]

Na primeira semana de março, diversos veículos de notícias de alcance internacional, como New York Times, CNN e Reuters, produziram matérias afirmando que o ex-analista da NSA Edward Snowden, responsável por um dos maiores vazamentos de informações confidenciais da história do governo americano, estava disposto a voltar para os EUA, e que seus representantes legais estavam em negociações com o Departamento de Justiça americano.

As reportagens se baseavam em uma entrevista concedida pelo advogado russo de Snowden, Anatoly Kucherena, durante o lançamento de um livro escrito por ele sobre a vida do ex-analista na Rússia. Apesar das declarações serem verdadeiras, não existe nenhuma novidade nelas.

O jornalista Glenn Greenwald, um dos primeiros a publicar as informações vazada por Snowden, fez uma crítica, em artigo para o site The Intercept, ao modo como a imprensa tratou as declarações do advogado. Em junho de 2013, em uma entrevista concedida a Greenwald, que trabalhava para o jornal britânico The Guardian, Snowden já havia dito que desejava voltar para os EUA e enfrentar as acusações em um tribunal, contanto que tivesse a oportunidade de ter um julgamento justo onde pudesse se defender.

Um dos argumentos de Snowden é que, de acordo com o Ato de Espionagem de 1917, pelo qual ele está sendo acusado, caso volte para os EUA, não teria direito a sequer apresentar uma defesa do seu caso. “O governo americano, assim como fez com outros informantes, imediatamente e previsivelmente destruiu qualquer possibilidade de um julgamento justo em casa… Isso não é justiça, e seria tolo se voluntariar para isso se você pode fazer um bem maior fora da prisão do que dentro”, afirmou Snowden na ocasião.

Negociações em andamento – há tempos

Outra informação divulgada nas matérias do início de março como se fosse uma novidade, mas que já tinha sido reportada há tempos, foi a “revelação” de que os advogados do ex-analista estavam em negociações com o Departamento de Justiça dos EUA. Greenwald lembra que esta notícia foi reportada meses atrás, mas que até agora essas negociações não chegaram a lugar algum.

Em abril de 2014, afirma Greenwald, o New York Times já havia reportado que Snowden tinha contratado um renomado advogado em Washington para cuidar de sua defesa e tentar conseguir um acordo com os promotores federais que permitisse que ele voltasse ao país.

Desta forma, as declarações recentes de Anatoly Kucherena são verdadeiras, diz Greenwald, mas, pela maneira como foram reportadas pela mídia, sem contexto, pareciam novidades. “Desde que Snowden revelou-se ao público 20 meses atrás, ele disse exatamente a mesma coisa repetidamente quando perguntado sobre seu retorno aos EUA: ‘Eu adoraria voltar para casa, e o faria se pudesse ter um julgamento justo, mas, no momento, isso não é possível’”, escreve o jornalista.

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