Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > JORNALISMO & ÉTICA

Columbia conclui revisão sobre artigo da ‘Rolling Stone’

31/03/2015 na edição 844
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Dylan Byers [“Review of Rolling Stone's UVA rape story is long and damning”, Politico, 27/3/15] e Josh Feldman [“Police Inquiry: No Evidence to Back Up Rolling Stone UVA Rape Report”, MediaIte, 23/3/15]

Foi concluída uma investigação encomendada pela Rolling Stone à Escola de Jornalismo da Universidade Columbia para avaliar uma polêmica reportagem sobre estupro que teve seu conteúdo questionado.

O artigo, publicado na edição de novembro de 2014 da revista americana, trazia o relato de uma estudante que alegava ter sofrido um estupro coletivo em uma festa de uma fraternidade da Universidade da Virgínia, em 2012. Após a publicação, foram encontradas diversas falhas na apuração da reportagem, o que prejudicou a reputação da Rolling Stone e levou ao pedido de investigação por parte da cúpula da revista. Descobriu-se, na ocasião, que a jornalista responsável pelo texto não havia, por exemplo, entrado em contato com os supostos agressores ou verificado informações básicas como o nome completo da jovem – identificada apenas como “Jackie” – ou se houve uma festa no campus no dia do suposto estupro.

A revisão, de acordo com informações do site Politico, já foi entregue à Rolling Stone pelo reitor da Escola de Jornalismo de Columbia, Steve Coll, e parte dela deve ser publicada na próxima edição da revista. Segundo o colunista de mídia Dylan Byers, pessoas com acesso ao documento afirmaram que ele é longo – maior do que o artigo original da revista – e tem tom “condenatório”. “Elas também disseram que a revisão traz uma acusação direta à apuração da Rolling Stone e sua ética jornalística”, escreveu.

Investigação policial suspensa

No início de março, a polícia de Charlottesville, onde fica o campus da Universidade da Virgínia, suspendeu sua investigação sobre o alegado estupro afirmando que não foi possível concluir a existência de “um incidente consistente com os fatos contidos no artigo”. Descobriu-se que não houve uma festa na fraternidade na data apontada pela estudante. A própria “Jackie”, segundo o chefe de polícia local, Tim Longo, não quis cooperar com a polícia. Longo afirmou, no entanto, que isso não significa que “algo horrível não tenha acontecido” a ela. A polícia apenas não conseguiu apurar informações suficientes que identifiquem o que pode ter acontecido, e suspendeu a investigação até que apareça algo novo ou alguém com alguma pista.

O artigo sobre o suposto estupro na universidade continua online, e traz uma nota do chefe de redação da Rolling Stone, Will Dana, explicando a controvérsia gerada por ele. Dana diz que, por causa da natureza sensível da história, a revista prometeu honrar um pedido de “Jackie” de não procurar seus agressores. “Ao tentar nos sensibilizar com a injusta vergonha e a humilhação que tantas mulheres sentem após um ataque sexual, nós tomamos uma decisão – o tipo de decisão que repórteres e editores têm que tomar todos os dias. Nós não deveríamos ter feito este acordo com Jackie e deveríamos ter nos esforçado mais para convencê-la de que seria melhor para a verdade ouvir o outro lado da história. Estes erros foram da Rolling Stone, não de Jackie”, escreveu.

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