Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MONITOR DA IMPRENSA > BSKYB

A diferença entre crescimento e lucratividade

10/08/2004 na edição 289

A empresa de TV por satélite BSkyB, controlada por Rupert Murdoch, enfrenta um sério problema. À primeira vista, vai tudo muito bem: nos últimos meses, a companhia teve lucratividade 65% superior ao ano passado, e arrebanhou mais 81 mil novos assinantes para seus serviços, que pagam em média 35 libras por mês para ter acesso a transmissões esportivas e cinematográficas.

Mas o que a olhos inocentes parece muito, para James Murdoch – um dos filhos de Rupert – é pouquíssimo. O número de novos assinantes conquistados em 2004 não chega perto dos 133 mil do mesmo período em 2003, e está abaixo das expectativas dos investidores. A BSkyB agora receia não conseguir cumprir a meta de 8 milhões de assinantes até o fim de 2005. O cenário é preocupante, já que parece haver um limite no número de pessoas dispostas a pagar até 40 libras pelo serviço de TV por satélite. Com esta constatação, as ações da companhia começaram a cair, e seu conselho deverá decidir o quanto de sua lucratividade terá que ser sacrificado em prol do crescimento.

No momento, a companhia de 14 anos conta com cerca de 7,4 milhões de assinantes, e James Murdoch parece disposto a sacrificar o máximo que puder para concretizar uma nova estratégia, que visa chegar aos 10 milhões de assinantes até o ano de 2010. Parte do plano consiste em gastar cerca de 50% a mais em publicidade no próximo ano e empregar 450 milhões de libras durante quatro anos em melhorias na infra-estrutura.

A estratégia é arriscada, alerta um artigo da revista Economist [5/8/04], já que, em vez de conseguir uma boa quantidade de novos clientes, a BSkyB pode descobrir que quem paga 40 libras pelo serviço não está satisfeito e deseja mudar para um pacote mais econômico. Um dos erros da companhia seria a tentativa de se espelhar no mercado de TV paga americano, onde grande parte da população assina canais a cabo.

O consultor Julian Dickens, da Mercer, afirma que os EUA não são o modelo ideal a ser seguido pela TV britânica. Um dos motivos para isso seria o fato de, ao contrário dos americanos, os ingleses terem acesso a um generoso canal público. A companhia, entretanto, acredita que com o fim do sinal de transmissão analógica no país, em alguns anos as pessoas estarão preparadas para pagar por uma transmissão digital de qualidade.

Por enquanto, o problema de crescimento da BSkyB rendeu a criação de uma espécie de ‘teoria da conspiração’, diz a Economist. Nela, Rupert Murdoch estaria interessado em ver a queda das ações da empresa. Com elas barateadas, seria mais fácil fazer sua fusão com a DirecTV, a mais promissora companhia de TV por satélite do EUA. Com boatos como este circulando, James terá que lutar não só para conquistar novos assinantes, mas também para calar as suspeitas conspiratórias.

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