Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > ISRAEL & PALESTINA

A imprensa americana não é mais a mesma

Por lgarcia em 31/07/2014 na edição 809

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Geoff Dyer [“Truth is fiercely contested in Gaza war”, Financial Times, 25/7/14] e de Max Fisher [“Is the American media biased in favor of Israel?”, Vox, 23/7/14]

Dentre todas as muitas discussões sobre o conflito Israel-Palestina, uma das mais preocupantes envolve a cobertura da imprensa norte-americana. Tal cobertura estaria sendo objetiva? Será que um dos lados está sendo mais privilegiado? Como se forma a visão dos americanos sobre o conflito?

A jornalista e romancista ítalo-palestina Rula Jebreal foi uma das pessoas a criticar a imprensa americana em geral, especialmente o canal de TV MSNBC, acusando-o de favorecer o lado israelense. Após a crítica, ela foi convidada a debater o assunto no programa do comentarista político Chris Hayes.

Durante o programa, Rula apontou que a ampla cobertura da imprensa americana sempre oferece maior credibilidade ao ponto de vista de Israel; é possível, considerando que os líderes israelenses são democraticamente eleitos e por isso tendem a ser bem versados no estilo da imprensa americana, mostrando-se hábeis ao navegar por ela e criando assim mais familiaridade com o universo dos norte-americanos. Além disso, os políticos americanos (principalmente os de extrema-direita) sempre se mostraram nitidamente a favor de Israel.

Outro ponto – este um tanto delicado – é que há muitos comentaristas judaico-americanos nas emissoras, o que pode criar uma maior identificação com o lado israelense.

Embora Rula não esteja de todo equivocada – já que historicamente os Estados Unidos sempre penderam para o lado de Israel –, agora podemos ver alguma evolução acontecendo, tanto que na atual crise entre Israel e Gaza a cobertura da imprensa americana parece dar maior credibilidade ao ponto de vista palestino. Por que isso tem ocorrido?

A explicação é que, como boa parte dos conflitos é exatamente em Gaza, a maioria das mortes tem sido de palestinos, incluindo uma grande proporção de civis, o que mais uma vez cria a identificação e questionamentos sobre o motivo da guerra.

Conflito de gerações

Embora a imprensa americana não mostre a visão do cidadão americano sobre o conflito em Gaza, aparentemente os argumentos de Rula Jebreal podem estar presos a um conceito ultrapassado.

Uma pesquisa de opinião divulgada pelo Gallup na semana passada mostrou, por exemplo, um grande conflito de gerações em relação às opiniões sobre Israel:

** 55% dos americanos com mais de 65 anos apóiam as ações de Israel no conflito atual.

** Já no grupo de 18 a 29 anos, 51% disseram que o comportamento de Israel era injustificado. Destes, apenas 23% apoiavam as atitudes de Israel.

A provável explicação para a causa de Israel ter perdido força pode ter a ver com a crescente tendência dos EUA de injetar um pouco da política partidária feroz de Washington nesta relação (tendência que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pode ter incentivado ao apoiar Mitt Romney, o adversário de Barack Obama nas eleições presidenciais de 2012).

Na opinião do especialista nas relações EUA-Israel Natan Sachs, do instituto de pesquisa Brookings Saban Center, a questão é menos política e mais tecnológica. Ele diz que as mídias sociais ajudaram a criar uma percepção muito mais forte do sofrimento dos palestinos na guerra (o que talvez explique a opinião do grupo de 18 a 29 anos pesquisado pelo Gallup, que afinal é extremamente ativo na internet); no entanto, Sachs ressalta que isso não seria capaz de alterar a história, já que a forte antipatia dos EUA para com o Hamas limitaria quaisquer consequências políticas mais drásticas.

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