Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > VIGILÂNCIA & PRIVACIDADE

Agência britânica coletava imagens de webcam de usuários do Yahoo

Por lgarcia em 27/02/2014 na edição 787

Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Spencer Ackerman e James Ball [“UK spy agency intercepted webcam images of millions of Yahoo users”, The Guardian, 27/2/14] 

A agência de inteligência britânica GCHQ, com a ajuda da Agência de Segurança Nacional dos EUA, interceptou e armazenou imagens feitas com a webcam de milhões de usuários da internet. Arquivos da GCHQ mostram a existência de um programa de vigilância batizado de Optic Nerve (Nervo Óptico) que coletava imagens de chats online registradas com a webcam do Yahoo entre 2008 e 2010, mesmo que as pessoas envolvidas não fossem suspeitas em alguma investigação da agência.

Em apenas seis meses em 2008, foram coletadas imagens em still (estáticas) de mais de 1,8 milhão de usuários do Yahoo em todo o mundo. Entre os arquivos armazenados há uma quantidade considerável de imagens sexualmente explícitas. A companhia de internet negou que soubesse do programa de espionagem, e acusou as agências de inteligência de atingir um “novo patamar de violação da privacidade de nossos usuários”.

Reconhecimento facial

A revelação sobre o programa Optic Nerve foi feita pelo jornal britânico The Guardian com base em documentos vazados pelo ex-analista da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden. O programa, que em 2012 ainda estava ativo, era usado para experimentos em reconhecimento facial automatizado com o objetivo de monitorar alvos da GCHQ e descobrir novos alvos de interesse. O sistema poderia ser usado, por exemplo, na busca por suspeitos de terrorismo ou criminosos que fazem uso de identidades múltiplas.

O programa não coletava toda a conversa online, e sim salvava uma imagem, como uma foto, a cada cinco minutos. A agência classificava estes usuários – que não eram suspeitos de nada – de “não selecionado”. Um dos documentos sobre o programa o comparava às mugshots, as fotografias tiradas pela polícia para fichar os presos. “A detecção facial tem o potencial de auxiliar na seleção de imagens úteis para ‘mugshots’ ou até para reconhecimento facial ao avaliar os ângulos do rosto”, dizia o relatório. “As melhores imagens são aquelas em que a pessoa encara a câmera com seu rosto reto”.

Ainda de acordo com os documentos, a GCHQ tentava limitar o acesso de seus analistas às imagens de webcam, restringindo as pesquisas a metadados. Os analistas, entretanto, conseguiam ver o rosto de pessoas que tivessem se cadastrado no Yahoo com nomes de usuário iguais aos de alvos de vigilância da agência – o que significa que, se uma pessoa inocente tivesse, por acaso, o mesmo nome de usuário de um suspeito, suas imagens podiam ser acessadas. 

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