Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > CONFLITO NA UCRÂNIA

Agressões a jornalistas aumentam após incidente com voo MH17

Por lgarcia em 24/07/2014 na edição 808

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Roy Greenslade [“Journalists covering the Ukraine crisis suffer intimidation”, The Guardian, 23/7/14] e de Charles Miranda [“Pro-Russian militia tighten control at MH17 crash scene”, The Australian, 21/7/14]

No dia 20/7, separatistas pró-Rússia detiveram 10 jornalistas em Donetsk, na Ucrânia, que faziam a cobertura sobre o acidente com o voo MH17 da Malaysia Airlines, boeing comercial atingido por um míssil em território ucraniano, resultando na morte de seus 298 ocupantes. Dentre os detidos estavam Kevin Bishop, da BBC; Anna Nemtsova, repórter russa do site Daily Beast; Simon Shuster, da revista Time; a jornalista italiana Lucia Sgueglia; Paulo Hansen e Jan Lewenhagen, do diário sueco Dagens Nyheter.

Todos foram liberados após sofrer interrogatório por parte de membros da autoproclamada República Popular de Donetsk – região separatista que declarou independência da Ucrânia em abril deste ano, mas que não possui reconhecimento oficial.

A intimidação aos jornalistas que têm tentado trabalhar na Ucrânia apenas aumentou após o incidente com o voo MH17; no entanto, há relatos anteriores de ameaças realizadas tanto por separatistas pró-Rússia quanto por grupos anti-Rússia.

Profissão de risco

O Instituto de Informação de Massa, organização ucraniana que possui parceria com a ONG Repórteres Sem Fronteiras, divulgou uma lista com números que dão a dimensão do risco corrido pelos profissionais de imprensa no primeiro semestre de 2014. O Instituto contabilizou seis jornalistas mortos em exercício, 249 feridos ou atacados, e pelo menos 55 feitos reféns ou detidos. “Ataques físicos contra jornalistas e outros profissionais de mídia são, atualmente, o um dos maiores desafios para a profissão”, afirmou Oksana Romaniuk, diretora do Instituto, ressaltando que o governo deve ter como prioridade o fim da impunidade e a defesa do direito do público à informação.

A Repórteres Sem Fronteiras vem listando as violações à liberdade de imprensa no país. Veja algumas das mais recentes:

** 1/7/14 Denis Kulaga, repórter da emissora russa REN-TV, e seu cinegrafista, Vadim Yudin, tiveram que ser hospitalizados depois que um morteiro explodiu perto deles próximo à fronteira russa.

** 2/7/14 A repórter Anastasia Stanko e seu cinegrafista Ilya Beskorovayny – ambos do canal ucraniano Hromadske – foram libertados após serem mantidos reféns durante dois dias por rebeldes separatistas. Eles foram acusados ??de espionagem e ameaçados de decapitação, sendo liberados apenas após a intervenção de três emissoras pró-Rússia: Pervy Kanal, VGTRK e NTV.

** 4/7/14 Separatistas armados usando uniforme de combate representando a autoproclamada República Popular de Luhansk invadiram a sede da rádio estatal de Luhansk e a emissora de TV local. Um dos rebeldes disse que vários canais seriam “fechados” e que assim permaneceriam até que pudessem retornar “com um formato diferente”.

Na semana anterior, as operadoras de TV a cabo LKT e Triolan já haviam substituído boa parte de seus canais de notícias ucranianos por alternativas russas.

** 5/7/14 Cerca de 50 homens mascarados atacaram a sede do jornal russo Vesti, em Kiev, com pedras e bombas de gás lacrimogêneo. A responsabilidade pelo ataque foi reivindicada por Oles Vakhni, ultranacionalista que passou seis anos preso sob acusação de assalto à mão armada e violência. Igor Guzhva, proprietário do Vesti, disse que o incidente pode estar ligado a uma manifestação ocorrida diante da redação na semana anterior, que tinha como objetivo “dar fim à disseminação da propaganda anti-ucraniana”.

** 8/7/14 Uma equipe do canal Inter (da TV nacional ucraniana) ficou sob fogo cruzado em uma vila perto de Luhansk. O repórter Roman Bochkala foi levado ao hospital depois de quebrar o braço quando buscava abrigo.

** 10/7/14 Rebeldes pró-Rússia apreenderam todos os equipamentos de informática e câmeras de vídeo dos escritórios do site de notícias Politika 2.0, cuja sede fica em Luhansk. Segundo Serhiy Sakadynski, editor da página, o ataque ocorreu depois que uma repórter de sua equipe foi acusada por separatistas de praticar espionagem quando tirava fotos da estação ferroviária de Luhansk.

Sakadynski chegou a ser espancado e detido, e foi libertado no dia posterior ao ataque após a intervenção de figuras influentes na Rússia. Nenhum dos equipamentos apreendidos na redação foi devolvido.

Na mesma data do ataque ao Politika 2.0, a estação de TV Luhansk Cable Television (LKT) anunciou a suspensão de sua transmissão devido à impossibilidade de garantir a segurança de seus funcionários. A esposa de Igor Zazimnik, assessor jurídico da LKT, foi morta por uma bala perdida na varanda de seu apartamento.

Duas outras emissoras de TV locais, a IRTA e a LOT, também tiveram de suspender as operações.

** 18/7/14 O jornalista ucraniano Yevgeny Agarkov (do canal de TV 2+2) foi condenado por “exercício ilegal do jornalismo” em Voronezh, sudoeste da Rússia. Ele passou 10 dias em confinamento solitário e foi libertado após pagamento de uma pequena multa no valor de R$ 115. Agarkov foi expulso da Rússia e está proibido de entrar no país durante cinco anos. De acordo com funcionários da imigração, o jornalista não havia sido credenciado pelo Ministério das Relações Exteriores russo.

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