Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

CADERNO DO LEITOR > INVESTIGAÇÃO & ARAPONGAGEM

Alberto Dines responde

24/02/2004 na edição 265

Não se deve exigir coerência dos leitores – em geral são impulsivos, incoerentes, ilógicos e esquecidos. Justamente por que são impulsivos, incoerentes, ilógicos e esquecidos são essenciais, insubstituíveis.

Se os leitores fossem prudentes, lógicos e donos de assombrosas memórias não precisariam informar-se nem comprar jornais, livros ou revistas.

Mas a coerência é indispensável para o exercício do jornalismo. Sem ela, derrubam-se os parâmetros, dissemina-se a confusão.

Este Observador não se considera onisciente nem infalível. Mas em tudo o que escreveu sobre o ‘jornalismo fiteiro’, sobre a distribuição de dossiês secretos ou sobre o conluio entre grampeadores-arapongas e repórteres ‘investigativos’ a posição tem sido rigorosamente a mesma: repudiar o jornalismo passivo e a promiscuidade com interesses anônimos e escusos. Fácil comprovar, basta ler o que foi publicado (veja a lista abaixo).

Nos episódios anteriores este Observador foi acusado de tucano, agora está sendo acusado de favorecer o PT. Provavelmente pelos mesmos autores. A nenhum deles ocorreu examinar a questão sob a ótica da defesa do jornalismo independente, responsável, avesso ao sensacionalismo.

Compreende-se: aqueles que são parciais não podem entender a busca da imparcialidade, os eternos indignados não suportam a serenidade, os incendiários abominam a coerência. Sem eles, o jornalismo seria desnecessário (A.D.)

Leia também de Alberto Dines sobre o jornalismo fiteiro:

Quando grampo não é grampo – A.D.

O caso da fita, verso e reverso – A.D.

ACM, a mãe de todos os grampos – A.D.

Quando jornalismo é só fita, até ventilador desanima – A.D.

Quem não tem grampo vai a Miami – A.D.

O fetiche das fitas – Alberto Dines

Suicídio das baleias enforcadas em fitas – A.D.

A quem pertence um bem público? – A.D.

A bomba de Época exigiu explicações – A.D.

O Globo, um feito e uma pista – A.D.

Que tal examinar edições antigas? – A.D.

O denuncismo nunca mais será o mesmo – A.D.

Fita-bomba e leviandade máxima – A.D.

No reino da arapongagem – A.D.

Época enrolada – A.D.

Quem tem grampo tem tudo – A.D.

Rotina dos grampos agora tem novidade: a torpeza – A.D.

Impressões digitais – A. D.

Grampo cresceu e virou mordaça – o que é pior? – A.D.

Entre o grampo e a mordaça – A.D.

Hora de trocar o espetáculo – A.D.

Mídia fuzila antes de apurar – A.D.

Vazamentos, grampos & fitas: um caso de moralismo seletivo – A.D.

A quartelada midiática – A.D.

Turma do grampo não quer ser incomodada – A.D.

Máfia do grampo e cumplicidade da mídia – A.D.

A volta triunfal do jornalismo fiteiro – Alberto Dines

Quando a mídia for grampeada – A.D.

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PRIMEIRAS EDIçõES > ** *

Alberto Dines responde

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

ASPAS

DOSSIÊ PERFÍDIA
Hélio Fernandes

Copyright Tribuna de Imprensa, 9/2/01

"A TVE proibiu o programa contra ACM, todos ‘viram’ a entrevista que não houve. Nesse caso da censura ao livro do jornalista Teixeira Gomes sobre ACM, o que é importante não é a subserviência, a vassalagem, a obediência a ordens de cima. O que estarrece mesmo é a burrice. Se a entrevista tivesse acontecido, se Alberto Dines e Teixeira Gomes aparecessem conversando, até com o jornalista espinafrando ainda mais o senador da Bahia, a repercussão seria nenhuma, isso é o habitual da TVE. Não há um programa da TVE que provoque polêmica, discussão, debate.

Mas a burrice explícita e implícita à entrevista foi ainda pior do que a censura. Pois todos ‘viram’ o programa que não foi exibido. Qual foi o episódio desse tolo, tosco e tênue ‘Observatório da Imprensa’, que foi discutido, elogiado, até criticado? Nenhum, claro, ele está aí para servir ao sistema e mais nada. Agora, quando o sistema se defende, e proíbe o que não lhe interessa, fingem que estão revoltados. O ‘sistema’ tem mão e contramão, dá mas também exige. É o Deus e o diabo na terra do sol. (Royalties para Glauber Rocha).

Chamuscado, enlameado, amordaçado, os ‘responsáveis’ pelo programa, aparecem e dizem: ‘Convidamos 11 jornalistas, 10 deles faltaram’. Ha! Ha! Ha! Ora, isso não existe, não há uma possibilidade em 1 milhão de representar a verdade. Alguns amestrados batem palmas, é do jogo. O programa é gravado, como é que 10 jornalistas faltaram? Convidassem outros, que iriam. Se tivesse autonomia de vôo, o Dines podia me telefonar, mesmo que fosse ao vivo, eu iria na hora. Mas como fazer isso? Quando o ‘Observatório’ começou, Brasília exigiu: ‘Helio Fernandes de jeito algum’. Dines aceitou. Agora chora?

***

Só que o episódio não começou na TVE, nem vai acabar aí. Existem muitas coisas que não vieram a público e é preciso contar, para que o cidadão-contribuinte-eleitor fique esclarecido. Registre-se: o fato sempre, ou quase sempre, é suculento e interessante. Só que ‘os bastidores’ do fato geralmente são muito mais fascinantes.

Vejamos então como as coisas ocorreram antes do veto.

1 – A TVE anunciou que o jornalista João Carlos Teixeira Gomes, autor do livro ‘Memórias das Trevas’, sobre ACM, seria entrevistado no programa ‘Observatório da Imprensa’.

2 – O mesmo autor dera entrevista uma semana antes na TV Cultura, também estatal.

3 – ACM ficou furioso, mas só soube depois do programa ter sido exibido.

4 – No caso da TVE, ACM soube por um auxiliar dedicado e competente, ele mesmo confessou que nunca vê a TVE, ‘não tenho tempo a perder’.

5 – Alertado, ACM não conversou, usou o costumeiro estilo: pegou do telefone e deu ultimatum ao Planalto, ou cancelam a entrevista ou tomarei providências.

6 – Não acreditaram muito, (o Planalto garante que ACM está acabado, erro que não deveriam cometer) quiseram saber qual seria a tão temida reação de ACM.

7 – Este não se incomodou e mandou a resposta que incendiou o Planalto: ‘Se a entrevista for exibida, o senador Requião vai aparecer diariamente na TV Senado, fazendo revelações sobre o superfaturamento do Pavilhão Brasileiro na Feira de Hanover. E ainda sobrará muito tempo para falar sobre o caso Eduardo Jorge’.

8 – Bem, aí o caso já era outro, o corre-corre no Planalto foi enorme, as coisas chegaram a escalões e a andares bem altos dentro do palácio.

9 – Mandaram então um cauteloso recado indireto para ACM, com a seguinte mensagem a Garcia: ‘Segure o Requião que estamos tomando providências junto à TVE’. Ha! Ha! Ha! O purgante fizera efeito, queriam que a entrevista não fosse estatal e sim privada.

** *

10 – O pânico (como a euforia) é capaz de mover o mundo.

11 – E isso aconteceu de tal maneira, que o próprio Alberto Dines, que ainda não tomara conhecimento do veto (o assunto, como eu disse, estava nos altos escalões, não chegara ao subsolo, quando chegasse não haveria problema), recebeu inesperado telefonema de Nova Iorque, e a secretária informou: ‘É o governador Jaime Lerner, diz que é urgente’.

12 – Urgente até mesmo Jaime Lerner tem que ser atendido.

13 – Aí a surpresa total: o governador do Paraná pedia ao jornalista para não entrevistar o autor de ‘Memórias do Cárcere’, perdão, ‘Memórias das Trevas’.

14 – Perplexo, Dines desligou e foi saber do que se tratava, pois não sabia de nada.

15 – Lerner foi colocado no circuito, (e devidamente intimidado), por um telefonema de ACM a Bornhausen.

16 – O ainda presidente do Senado entrou na briga para valer. E telefonou para Bornhausen, revelando: ‘O Requião não vai falar só sobre o primeiro filho ou Eduardo Jorge. Ele mesmo me informou que tem quilos de denúncias sobre escândalos do Banestado leasing, e sobre fatos mais do que inacreditáveis que aconteceram na Secretaria de Segurança do Paraná’.

17 – Bornhausen, (um político altamente profissional e competente) raciocinou como presidente do PFL, sabendo que o governador do Paraná também é do PFL.

18 – Imediatamente ligou para Lerner em Nova Iorque, contou o que estava acontecendo, e disse: ‘Use seu Poder de governador, segure o Requião’.

19 – Lerner, que gosta de se gabar, (pensa (?) que ninguém sabe quando ele fala) da relação ‘financeira’ que tem com jornalistas, falou com Alberto Dines na condição de patrão que pode retirar qualquer um da lista, quando isso lhe interessar.

20 – E Alberto Dines, docemente constrangido, ou financeiramente abatido, cedeu.

21 – Mas diga-se a bem da verdade, que Dines nisso tudo, estava ultrapassado desde o início, não era peça-chave.

** *

PS – Esses ‘bastidores’ ainda envolvem: Andrea Matarazzo, David Zylberstejn, João Rodarte, nunca tantos se empenharam por tão pouco. Mas o espaço acabou, o essencial está contado. Os outros personagens ficam para depois. Foi uma pena Requião não ter a TV Senado à disposição. Também quero.

 

O jornalista Hélio Fernandes é um chantagista e impostor. Pensa que é bem informado mas desconhece que o programa é apresentado ao vivo. Salvo nos depoimentos especiais, como foi o caso de seu genial irmão, Millôr Fernandes, e outras figuras deste quilate. Nestes casos as gravações são reprisadas no período de férias ou na ausência do apresentador.

Mordido de ciúme pelo destaque que demos ao irmão passou a cobrar tratamento igual. Não merece, é um reles mentiroso, abjeta figura sem senso moral. A prova disso é que a sua entrada no prédio da Tribuna da Imprensa foi proibida pelo próprio filho, horrorizado com as trapalhadas do pai, jogador profissional e chantagistas contumaz.

Não há uma linha verdadeira nesta coluna. Esta proibição ao seu nome é demência, senilidade, paranóia. Hélio Fernandes não suporta o ostracismo a que ele próprio se condenou.

A inclusão do governador Jaime Lerner nesta história foi-lhe passada pelo ACM da esquerda, o senador Requeijão. Puro antisemitismo de ambos para mostrar a "conspiração judaica". Não vejo o governador Jaime Lerner há meia dúzia de anos. (Alberto Dines)

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