Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > JORNALISMO DE RISCO

Anunciados vencedores do Polk Award

27/02/2007 na edição 422

Foram anunciados, na semana passada, os 12 vencedores de 2006 do George Polk Award, prêmio concedido pela Universidade de Long Island aos profissionais de imprensa que enfrentam perigos e riscos na apuração jornalística.

O diretor Spike Lee, junto com seu produtor e editor, foi premiado pelo documentário When the Levees Broke: A Requiem in Four Acts (Quando as barragens se romperam – um réquiem em quatro atos, tradução livre). Com quatro horas de duração, o filme exibido na HBO traça um panorama sobre a situação na Nova Orleans pós-furacão Katrina.

Na categoria de reportagem internacional, quem levou o prêmio foi Lydia Polgreen, do New York Times, pela cobertura da guerra em Darfur, conflito que matou 200 mil pessoas e desalojou 2,5 milhões delas. A repórter foi citada por suas reportagens ‘corajosas e freqüentemente exclusivas que deram voz às vítimas do conflito, alertando ao mundo sobre seu sofrimento’.

A correspondente investigativa do programa da NBC Nightly News With Brian Williams Lisa Myers e o produtor Adam Ciralsky ganharam na categoria de reportagem televisiva por expor o que foi considerado tratamento preferencial do governo americano, que concedeu um contrato de US$ 70 milhões para a Raytheon Company desenvolver um sistema para combater granadas guiadas por GPS, quando já existe um sistema israelense bastante eficiente com o mesmo objetivo. O Congresso está revendo as circunstâncias do acordo.

Doenças e danos

O prêmio de reportagem militar foi para Lisa Chedekel e Matthew Kauffman, do Hartford Courant, pela série de quatro partes que detalhou o alto índice de suicídio entre as tropas americanas, principalmente entre soldados sob severo estresse em combate no Iraque e sem acompanhamento psicológico.

Robert Little, do Baltimore Sun, foi o vencedor da categoria de reportagem médica, por sua série de três partes que examinou o uso de uma droga experimental de coagulação sangüínea em mais de mil soldados, embora o medicamento estivesse associado a coágulos fatais no coração, pulmões e cérebro.

A série investigativa Altered Oceans (Oceanos Alterados, tradução livre) deu aos repórteres Kenneth R. Weiss e Usha Lee McFarling, do Los Angeles Times, o prêmio na categoria de reportagem ambiental. A série descobriu que lesões na pele de bombeiros australianos, leões-marinhos com problemas no cérebro e manchas vermelhas em praias na Flórida estavam associados ao despejo de lixo, à poluição industrial e a outras atividades humanas nocivas aos oceanos.

Investigações e processos

Jeff Kosseff, Bryan Denson e Les Zaitz, do Oregonian, foram os vencedores da categoria de reportagem nacional, por artigos que expuseram falhas em um programa federal de US$ 2,25 bilhões destinado a ajudar cegos e outros deficientes a encontrar empregos. Enquanto o programa enriquecia executivos, muitos trabalhos acabavam recebendo menos que o salário mínimo. Depois da publicação dos artigos, foram iniciadas investigações federais, processos e renúncias.

Na categoria de reportagem de economia, Charles Forelle, James Bandler e Mark Maremont, do Wall Street Journal, receberam o prêmio pela exposição de uma prática comum que permitia a executivos aumentar seus lucros em investimentos em ações da bolsa. Os artigos deram início a investigações federais em mais de 130 empresas, gerou diversas resignações e levou a várias acusações criminais.

Prêmio estudantil

O prêmio para reportagem radiofônica foi para 11 estudantes de jornalismo que cobriram o que chamaram de ‘misérias humanas’ e ‘perigos ecológicos do aquecimento global’ em diversas regiões, incluindo o Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, e arredores de Auckland, na Nova Zelândia. Os artigos foram produzidos e editados pela Escola de Jornalismo da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

A cerimônia de premiação acontecerá em abril. O jornalista George W. Polk, correspondente da CBS, morreu em 1948, quando cobria a guerra civil na Grécia. A premiação foi criada em 1949, sendo os vencedores escolhidos por um júri formado por membros da faculdade e ex-alunos, a partir de submissões de jornalistas e organizações de mídia e indicações de um grupo de editores, repórteres e professores de jornalismo. Informações de Robert D. McFadden [The New York Times, 20/2/07].

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