Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MONITOR DA IMPRENSA > DEPOIS DO HORROR

Após ataque, veículos evitam reproduzir caricaturas de Maomé

Por lgarcia em 08/01/2015 na edição 832

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Rosie Gray e Ellie Hall [“Many Outlets Are Censoring Charlie Hebdo’s Satirical Cartoons After Attack”, BuzzFeed, 7/1/15]

Ao noticiar o ataque à revista satírica Charlie Hebdo, diversos jornais, canais de televisão e sites optaram por ocultar as caricaturas de Maomé reproduzidas em suas reportagens. A redação da publicação francesa foi invadida por homens armados e mascarados na manhã de quarta-feira [7/1], culminando na morte de 12 pessoas.

No Reino Unido, o Telegraph quadriculou uma das representações de Maomé na capa da Charlie Hebdo.

O jornal britânico também utilizou uma foto do diretor da revista, Stéphane “Charb” Charbonnier – morto no atentado –, segurando um exemplar da Hebdo, mas recortou a imagem, de modo que o desenho de capa não aparecesse.

O New York Daily News também quadriculou a caricatura de Maomé, que mostrava exatamente a capa da Hebdo de 2011 apontada como gatilho para o ataque. Os editores do Telegraph e do Daily News não responderam a pedidos do BuzzFeed para comentar a decisão de censurar as imagens.

Já o New York Times se manifestou através de um porta-voz:  “De acordo com os padrões do Times, normalmente não publicamos imagens ou outros materiais que tenham deliberadamente a intenção de ofender sensibilidades religiosas. Após cuidadosa reflexão, os editores concluíram que apenas descrever as charges em questão seria suficiente para fornecer aos leitores as informações para compreender a reportagem de hoje”.

As emissoras do NBC News Group – NBC News, MSNBC e CNBC – chegaram a receber orientações diretas pra não exibir manchetes ou caricaturas que “pudessem ser vistas como insensíveis ou ofensivas”.

Porta-vozes tanto da ABC News quando da CBS News também confirmaram que não iriam mostrar as charges de Maomé da Charlie Hebdo. A Fox News chegou a exibir alguns dos desenhos, mas declarou que não tem planos de fazê-lo novamente.

Outros veículos fizeram escolhas mais sutis para censurar as imagens, em geral recortando as fotos para excluir as charges. A agência Associated Press, por exemplo, liberou três imagens de Charbonnier segurando um exemplar da Hebdo e nenhuma delas exibia a capa em si. O porta-voz da AP, Paul Colford, confirmou ao BuzzFeed a intenção de ocultar as caricaturas de Maomé. “Há anos tem sido nossa política se abster de fotos deliberadamente provocativas”, declarou. Embora a AP tivesse em seu banco outras imagens de Charbonnier exibindo* as charges, a maioria dos veículos escolheu as fotos censuradas. (*Colford alertou que as fotos sem censura são terceirizadas e que já estão sendo removidas do acervo público da agência).

Caso Hebdo não é primeira polêmica

A decisão das empresas jornalísticas recorda a controvérsia em torno do jornal dinamarquês Jyllands-Posten, que publicou caricaturas polêmicas com Maomé entre 2005 e 2006, causando protestos e boicotes no mundo todo, bem como ameaças de morte à equipe do jornal (nenhuma delas se consolidou e o jornal acabou sendo absolvido das acusações de crime contra crenças religiosas). À época, alguns veículos publicaram caricaturas em solidariedade ao jornal, enquanto outros, como a CNN, optaram pela censura. No caso Hebdo, a CNN também escolheu não exibir as charges.

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